sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Bradesco diz que pode oferecer crédito imobiliário com IPCA, mas cita riscos



O diretor executivo e de Relações com Investidores do Bradesco, Leandro Miranda, disse que o banco não teria nenhum problema de oferecer crédito imobiliário com taxas baseadas no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como referência. O problema é se o mutuário gostaria de assumir o risco inflacionário por um período tão longo.
Nesta tarde, o presidente da Caixa Econômica Federal,Pedro Guimarães, anunciou que a Caixa vai oferecer taxas de juros atreladas ao IPCA, inflação oficial do País, para contratos de 360 meses. A Caixa e o Bradesco brigam pela liderança dos financiamentos imobiliários, segundo o executivo.
Ele questiona se 12 anos atende o cliente, já que o valor da prestação ficaria elevada, e, no caso da oferta de 20, 30 anos, como é mais comum para o crédito imobiliário, o mutuário gostaria de se comprometer com a inflação por um período tão longo. Mesmo no prazo de 12 anos, segundo Miranda, que ainda não havia tomado conhecimento diretamente do anúncio da Caixa, haveria um risco inflacionário que o brasileiro talvez não queira tomar.
"Para nós, bancos, faríamos sem problemas, mas não sei se o cliente gostaria de 12 anos. Para nós acho viável porque tem proteções de inflação através de derivativos. Se quiser transformar a taxa em fixa você tem possibilidade de securitizar essa carteira de 12 anos junto a fundos de pensão e companhias de seguro. Mas atende o consumidor?", questiona Miranda.
"Vamos primeiro entender o regulamento (anunciado nesta terça). Nós temos capacidade de prover todo e qualquer produto bancário no Brasil, se tiver demanda a gente pode fazer a inflação por 12, 20, 30 anos", afirmou o executivo. "Não temos necessidade de limitar a 12 anos porque temos capital robusto", concluiu.

Banco do Brasil divulga modalidade mais barata


O Banco do Brasil (BB) começou ontem a usar um novo procedimento para concessão de empréstimos imobiliários, oferecendo taxas mais reduzidas de acordo com a duração do financiamento.
Em material enviado a agentes imobiliários, ao qual a Reuters teve acesso, o BB apresentou uma tabela válida para as linhas de carteira hipotecária e do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Para contratos com prazo de até 60 meses, a taxa anual será a partir de 7,99%. No caso de financiamentos de 61 a 118 meses, a taxa sobe a 8,05%, chegando a 8,10% quando o período for de 119 a 178 meses. Se o financiamento for pago entre 179 e 238 meses, a taxa será de 8,15%. Para o intervalo de 239 a 298 meses, o juro sobe a 8,24%, avançando para 8,29% nos casos de 299 a 359 prestações. Por fim, financiamentos com prazos de 359 a 418 meses pagarão 8,45% ao ano.
O material explica ainda que o banco também leva em conta o perfil de relacionamento do cliente com o banco para definir a taxa final cobrada.
O movimento aconteceu no mesmo dia em que a Caixa Econômica Federal anunciou a criação de uma linha de crédito imobiliário atrelada ao IPCA.
Consultado, o BB não se manifestou de imediato. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Taxa de juros para crédito imobiliário indexada à inflação será menor, diz presidente da Caixa



O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta quinta-feira, 15, que o banco está próximo de anunciar, oficialmente, o lançamento de linhas de crédito imobiliário pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) com custo indexado ao IPCA – o índice oficial de inflação. O índice poderá substituir a Taxa Referencial (TR) em contratos novos de financiamento. Segundo Guimarães, o anúncio pode ocorrer na próxima semana.
Guimarães afirmou que o Banco Central e o próprio Conselho Monetário Nacional (CMN) já aprovaram essa possibilidade. Questionado sobre os motivos para que o voto do CMN neste sentido não ter sido publicado, Guimarães desconversou. No entanto, ele lembrou que na última quarta-feira, 14, o CMN promoveu uma reunião extraordinária no Ministério da Economia. Após este encontro do CMN, foi divulgada apenas uma resolução, ligada ao financiamento de produtores de arroz.
“Estamos focando no setor imobiliário”, disse Guimarães a jornalistas no início da noite de hoje. Segundo ele, as linhas de crédito imobiliário indexadas a índices de inflação serão anunciadas assim que o banco estiver preparado para atender aos clientes. “Certamente, a taxa de juros do crédito imobiliário indexado ao IPCA será bem menor”, acrescentou o presidente da Caixa. Ele evitou, no entanto, revelar o quanto será mais baixa.
O Estadão/Broadcast antecipou o que o Banco Central estudava a possibilidade de permitir que os bancos utilizem índices de inflação, como o IPCA, como referência para o reajuste das parcelas do crédito para compra da casa própria em operações do SFH, para imóveis com valor de até R$ 1,5 milhão. O índice de inflação seria um substituto da TR, hoje usada como indexador em todas as operações do SFH. A expectativa do setor é de que a mudança possa abrir espaço para juros menores nos novos contratos.
Atualmente, quem financia imóvel pelo SFH paga uma taxa de juros fixa, cujo limite é de 12%, mais a TR, que atualiza o saldo devedor. Como o valor da TR hoje é zero, o mutuário da casa própria paga, na prática, apenas o valor fixo. Os dados mais recentes do Banco Central mostraram que a taxa média de juros cobrada em financiamentos imobiliários fechados em maio foi de 7,7% ao ano neste caso. Quem financiou o imóvel a taxas de mercado (fora do SFH) teve acesso a um juro médio de 9,2% ao ano. O SFH já possui um custo mais baixo por utilizar recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Repasses. Guimarães anunciou nesta quinta-feira que recebeu autorização do conselho do banco para pagar ao Tesouro mais R$ 7,35 bilhões referentes à dívida com Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Com os outros R$ 3 bilhões já pagos em junho, a Caixa completa agora um total de R$ 10,35 bilhões quitados. Isso corresponde a 25% dos R$ 40 bilhões devidos pelo banco.
Os IHCD foram usados pelo governo da presidente Dilma Rousseff para elevar o volume de recursos em instituições públicas. Até o fim do ano, conforme Guimarães, a Caixa planeja pagar mais R$ 10 bilhões.

Financiamentos imobiliários poderão ser indexados à inflação




Os bancos poderão oferecer crédito imobiliário corrigido pela inflação. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou resolução que permite que novos financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) tenham o saldo devedor atualizado por índices de preços.
A resolução foi aprovada na reunião extraordinária do CMN na manhã de quarta-feira (14), mas só foi divulgada pelo Banco Central (BC) (15) no fim da noite, depois de o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciado que o banco passará a conceder crédito imobiliário corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais uma taxa de juros fixa.
Os financiamentos habitacionais são corrigidos pela Taxa Referencial (TR), atualmente zerada, mais juros fixos que variam conforme o perfil do mutuário. Em julho do ano passado, o conselho havia autorizado a concessão de crédito corrigido pela inflação. A resolução, no entanto, não alcançava as operações do SFH, nas quais o tomador usa o saldo da conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagar as prestações e amortizar o saldo devedor.
Em nota, o Banco Central explicou que a medida ajuda a tornar o mercado imobiliário menos dependente da poupança e do FGTS, cujos recursos são em parte usados para empréstimos habitacionais. Segundo o BC, os financiamentos corrigidos pela inflação podem servir de lastro (base) e ampliar a participação de instrumentos voltados para o crédito imobiliário negociados no mercado financeiro, como os certificados de recebíveis imobiliários e as letras imobiliárias garantidas.
Segundo o comunicado, a medida é derivada da agenda de modernização do sistema financeiro e beneficiará o consumidor ao ampliar as modalidades de financiamento imobiliário disponíveis, aumentar a concorrência entre os agentes financeiros e reduzir os juros finais para o tomador.

CMN libera IPCA no crédito imobiliário, e Caixa prepara lançamento


O Conselho Monetário Nacional (CMN) deu o passo que faltava para o lançamento de linhas de crédito imobiliário corrigidas por índice de preços em operações feitas no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), aquelas em que o comprador pode usar dinheiro da sua conta do FGTS para pagar a dívida.
O anúncio não foi feito pelo CMN, como é praxe, mas pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães em entrevista no início da noite de ontem. O executivo pretende lançar produtos nessa modalidade na próxima semana. Em seguida, o presidente Jair Bolsonaro disse que, na terça-feira, a Caixa vai anunciar novidades que vão "revolucionar" o mercado de crédito imobiliário. O Banco Central acabou anunciando a medida no fim da noite.
As linhas que a Caixa vai lançar serão mais baratas do que as oferecidas pelo banco, indexadas pela TR. As taxas ainda não são públicas, mas a expectativa é que fiquem em IPCA mais uma banda entre 2% e 5% ou perto disso. O percentual será menor quanto melhor for o perfil de crédito do tomador e maior for o relacionamento com o banco. Hoje, a modalidade mais barata da Caixa sai por TR mais 8,5% ao ano.
As linhas baseadas na TR serão mantidas. O cliente poderá escolher o indexador e o sistema de amortização: serão oferecidos tanto o SAC, de amortizações constante, quando a tabela Price, com parcelas fixas.
Hoje, já existe liberdade de indexador para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que abrange imóveis acima de R$ 1,5 milhão, uma parcela pequena do mercado. Por isso, o anúncio da liberação de índice de preço para o SFH é importante, e há duas grandes razões. Uma delas é que representa um mercado maior que o SFI e que, agora, poderá ter acesso a taxas mais baixas. A outra é que a medida tem potencial para provocar uma mudança na estrutura de funding do mercado imobiliário, hoje dependente da poupança e do FGTS.
Com a indexação pelo IPCA, será possível securitizar e empacotar em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) as operações de financiamento habitacional, abrindo mais um bolsão de recursos para o setor num momento em que as fontes atuais de funding começam a dar sinais de esgotamento.
Guimarães já disse que a Caixa pretende securitizar créditos imobiliários, dando giro maior à carteira. Por meio de CRIs, fintechs poderão entrar na disputa pelo mercado imobiliário, pois o custo de capital de carregar uma operação no balanço por 30 anos deixa de existir. (Colaborou Estevão Taiar, de Brasília).

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Selic e concorrência devem levar juro imobiliário ao menor nível da história



Os juros do crédito imobiliário caminham a passos largos para cair ao menor nível da história no Brasil, o que pode ocorrer já no próximo ano, segundo executivos do setor. A expectativa é criada diante da expectativa de novos cortes da taxa básica da economia e da maior concorrência entre os grandes bancos, acirrada pela retomada dos financiamentos da Caixa Econômica Federal neste ano.
O juro médio dos empréstimos para compra da casa própria ficou em 7,73% ao ano em junho, conforme dados do Banco Central (BC) que consideram financiamentos para pessoas físicas com recursos direcionados. Este nível já beira o piso visto em fevereiro de 2013, quando estava em 7,69%. Naquela época, porém, a Selic havia sido cortada para 7,25% ao ano em um movimento considerado "artificial" - tanto que o juro baixo não durou muito tempo e a taxa voltou a subir nos meses seguintes.
Agora, o cenário é outro. Bancos e construtoras acreditam que um novo piso histórico nos juros do crédito imobiliário deverá acontecer naturalmente, graças ao ajuste fiscal em curso, à inflação baixa e à tendência de novos cortes na Selic. O mercado financeiro prevê que a taxa básica saia dos atuais 6% para 5% ao ano no fim de 2019, enquanto os mais otimistas falam em até 4,75%.
"Não há nada que sinalize que não chegaremos à mesma situação vista anos atrás", afirmou o economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, referindo-se ao piso de juros registrado no período de bonança do mercado imobiliário. "Se o Banco Central confirmar a expectativa atual de baixar ainda mais a Selic, é natural que haja uma adequação das taxas de juros do financiamento", avaliou.
Concorrência - Além do fator macroeconômico, a concorrência entre os bancos também favorece o cenário. A carteira imobiliária é muito disputada, pois permite às instituições reter clientes por um período de até 35 anos. E a concorrência ficou maior uma vez que a Caixa, que tem dois terços de participação no setor, acelerou os empréstimos em 2019 após pisar no freio em 2018. Em junho, ela anunciou a redução de suas taxas para clientes com relacionamento de 8,75% para 8,50% (mais taxa referencial) ao ano.
Como resposta, uma das principais ofensivas veio do Santander Brasil, que, em julho, anunciou uma campanha de 60 dias com juros reduzidos de 8,99% para 7,99%. O banco ainda se aliou ao Magazine Luiza para incluir uma geladeira de brinde aos clientes. "Estamos rumo a uma carteira de crédito imobiliário de R$ 40 bilhões na pessoa física", disse à imprensa o presidente do Santander, Sergio Rial.
A diretora de crédito imobiliário do Itaú Unibanco, Cristina Magalhães, contou que, há cerca de dois meses, não acreditava que o mercado reduziria mais os juros, uma vez que esse custo já havia sido reduzido, mas mudou de opinião depois de ver as ofensivas dos concorrentes. "Estávamos no ponto ótimo. Há um ano, os juros eram de cerca de 11% ao ano", recordou. Para o curto prazo, Cristina disse que o Itaú não tem engatilhado um corte generalizado nas taxas, mas será competitivo para reter clientes. Segundo ela, é importante oferecer aos consumidores um bom custo efetivo total, que é o resultado das taxas de juros mais seguro, tarifas e outros itens.
O Bradesco, vice-líder em financiamentos imobiliários, também pretende adotar no curto prazo uma postura semelhante à do Itaú. Ou seja: não reduzirá juros de forma ampla, mas está disposto a negociar. "Estamos abertos a discutir e negociar com os clientes qualquer taxa, inclusive tão baixas ou até menores que as da Caixa se for o caso", disse recentemente o presidente, Octavio de Lazari Jr. "Mas seria uma avaliação caso a caso", ponderou.
Próximos passos - O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte, avaliou que novos cortes nas taxas dependem de uma demanda maior por parte dos consumidores. "Os bancos estão com apetite. Tem muita competição. Está faltando o consumidor ficar um pouco mais valente para demandar o crédito", observou. "Apesar de a economia estar começando a dar sinais de crescimento, ainda temos desemprego alto e ainda não estamos vendo a retomada da renda individual e essa é uma variável que toma um pouco mais de tempo".
Para o analista de mercado imobiliário do BTG Pactual, Gustavo Cambauva, os bancos não estão tão dispostos a tomar risco quanto no passado. "O próximo passo depende do comportamento da economia como um todo. Não acho que os juros chegarão ao piso recorde esse ano, mas em 2020 é possível", previu.
Se a trajetória se confirmar, as vendas de imóveis poderão deslanchar de vez, deixando no passado o gosto amargo dos distratos e dos estoques encalhados.
O setor estima que a redução de cada ponto porcentual nos juros representa desconto de 7% a 8% na parcela, o que significa que o financiamento passa a caber no bolso de mais consumidores. "Em São Paulo, são vendidas de 25 mil a 30 mil imóveis novos por ano. Dentro de alguns anos, esse patamar poderia subir para 40 mil", estimou Cambauva.
O copresidente da MRV Engenharia, Rafael Menin, acredita que o mercado nacional pode até dobrar de tamanho na próxima década caso haja uma redução dos juros do financiamento associada ao crescimento duradouro do Produto Interno Bruto (PIB) e à estabilidade política. "O mercado pode sair do patamar de produção de 600 mil imóveis por ano para mais de um milhão por ano em uma década", calculou Menin. A construtora já vem ampliando os negócios e espera atingir o marco de 50 mil unidades lançadas neste ano.
Enquanto os juros rondam o piso histórico, a liberação de crédito no primeiro semestre reforçou o otimismo do setor. Os financiamentos somaram R$ 33,7 bilhões no primeiro semestre de 2019, alta de 33,3% frente ao mesmo período de 2019. Diante da expansão robusta, a Abecip elevou sua projeção de empréstimo no acumulado do ano de 7% para 13% no ano, o que deve totalizar agora R$ 132 bilhões. "Acho que estamos voltando para um momento de aquecimento do mercado", observou o presidente da entidade, ponderando que o setor está longe, porém, de viver uma "euforia".

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Venda de imóveis usados cresce 22,54% no primeiro semestre em SP


Os mercados de imóveis usados e de locação de casas e apartamentos fecharam o primeiro semestre deste ano em alta na cidade de São Paulo, com saldo positivo acumulado de 22,54% nas vendas, e 20,93%, na locação.
No primeiro semestre do ano passado, o saldo de vendas acumulado ficou negativo em 4,23%. A locação registrou saldo positivo de 12,04%, pouco mais que a metade do registrado este ano.
Os dados são do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP).  De acordo com a pesquisa, o bom resultado do semestre foi impulsionado pelas vendas de junho, quando o número de unidades comercializadas foi 27,75% superior ao de junho do ano passado.
Foi o melhor saldo em seis meses, superando fevereiro (+ 26,8%) e abril (+ 20,04%).
O  levantamento "indica a resistência e a força de superação do mercado de imóveis usados neste momento em que caminhamos para terminar o ano com um PIB crescendo menos de 1% sobre 2018, muito abaixo das previsões iniciais", afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP.
Dos imóveis comercializados pelas 264 imobiliárias pesquisadas pelo Creci-SP em junho, 73,03% foram apartamentos e 26,97%, casas. Esse número foi 27,75% maior que o de maio, com o índice de vendas passando de 0,2639 nesse mês para 0,3371 em junho.
Os preços do metro quadrado dos imóveis aumentaram em média 14,15% em junho comparado a maio.
Financiamento liderou formas de pagamento - Foram vendidos com financiamento bancário 61,8% dos imóveis negociados por essas imobiliárias.
As outras formas de pagamento foram a venda à vista (37,08%) e por meio de carta de consórcio imobiliário (1,12%). A pesquisa não registrou venda com pagamento parcelado por donos de imóveis.
Imóveis de até R$ 600 mil foram os mais vendidos - Imóveis com preço final de até R$ 600 mil dominaram as vendas em junho, com participação de 56,18% do total.
Por faixa de preço de metro quadrado, 49,41% das unidades vendidas custaram aos compradores até R$ 8 mil o metro quadrado.
Locação de casas em queda - Dos contratos de alugueis firmados em junho pelas imobiliárias pesquisadas, 56,32% eram apartamentos e 43,68%, casas. Houve queda de 5,82% em relação às locações contratadas em maio.
Os aluguéis novos caíram em média 2,6% em relação a maio.
Mais da metade das novas locações de junho – 52,62% do total – tem aluguel médio de até R$ 1.200.

domingo, 4 de agosto de 2019

Retorno de investimentos em imóveis é maior com juros mais baixos

Desde março de 2018, estamos observando o valor mínimo de taxa de juros para o Brasil, de 6,5% ao ano, além de uma tendência de corte para os próximos meses, segundo o Relatório Focus do Banco Central, que aponta 5,5% ao ano como a expectativa dos analistas para o final de 2019. Sem dúvida, o cenário atual, somado à perspectiva de redução ainda maior, é extremamente positivo para o mercado imobiliário.

Dentro deste contexto há a redução dos juros dos financiamentos imobiliários, que estão cada dia mais baixos, o que viabiliza ainda mais o investimento em imóveis. Fora isso, vale mencionar a questão da alocação de capital. Se antes fazia sentido deixar o dinheiro aplicado ao invés de comprar um imóvel, hoje essa conta não fecha.
Esse movimento já está ganhando força e os investidores voltaram às compras. A demanda aumentou, estamos intermediando grandes vendas no mercado residencial e comercial. Fora isso, com a redução nos juros, a família de classe média está optando por comprar, ao invés de alugar.
O racional é simples, supondo que haja uma aplicação que renda 100% do CDI, considerando os juros a 5,5% ao ano, e descontando imposto de renda de 17,5% – que é a alíquota para que o valor fique aplicado por no mínimo um ano – o rendimento mensal será de 0,37%. Por referência, o valor de locação de um imóvel é de 0,45% do seu valor de mercado, ou seja, deixando o dinheiro aplicado o rendimento é 0,37% enquanto se paga um aluguel de 0,45%. Fora esse ponto, há a valorização do imóvel e por consequência aumento do preço do aluguel ao longo dos anos. Nos últimos dez anos, a valorização média anual dos imóveis em São Paulo foi de 9,3%  ao ano, considerando a série histórica do índice FipeZap, mesmo com crise econômica, que assolou o país nos últimos quatro anos.
O mesmo raciocínio vale para os investidores que preferiam deixar seu dinheiro aplicado, ao invés de investir em um imóvel para alugar. Em um país com juros relativamente baixos, viver de renda não significa mais aplicar o dinheiro em um CDB sem risco nenhum. Em países com juros baixos as aplicações em bolsa e os investimentos em imóveis são óbvios, sendo que cada um tem suas vantagens. O Brasil caminhará para isso, começando por este ano.
Passadas as reformas, que trazem maior estabilidade econômica para o país, o caminho dos juros baixos é sem volta. Equivalem a maiores investimentos, maior atividade econômica, aumento do PIB e renda. Estamos nos aproximando de uma nova fase para o país, em que o capital sai das aplicações e retoma para a economia real, gerando empregos e renda. Neste cenário, a valorização dos imóveis será ainda maior e investir no setor é cada vez mais atrativo.

Bradesco segue Selic e anuncia redução de juros em linhas de crédito


O Bradesco anunciou nesta quinta-feira, 1º, que também reduzirá as taxas de juros de suas principais linhas de crédito, acompanhando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Na pessoa física, a redução ocorrerá nas linhas de cheque especial, crédito pessoal e veículos (CDC). Na pessoa jurídica, o corte será nas linhas de capital de giro, cheque empresarial e veículos (CDC).
Outros bancos, como o Banco do Brasil e o Itaú, anunciaram um dia antes que irão cortar taxas de juros de empréstimos após a decisão de reduzir em 0,5 ponto percentual a Selic, chegando em 6% ao ano. Mais cedo, antes mesmo do anúncio do Copom, a Caixa Econômica Federal havia anunciado corte em algumas de suas tarifas.
No caso do BB, as reduções foram no crédito para pessoas físicas, jurídicas e no financiamento imobiliário. No empréstimo pessoal, as taxas passam de 2,99% ao mês para 2,955. No crédito imobiliário, a taxa mínima no SFI (Sistema Financeiro de Habitação) cairá de 8,49% para 8,29%. Esse financiamento permite a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, (FGTS) na compra de imóveis de até 1,5 milhão de reais.
Os juros para o financiamento automotivo também foram reduzidos, de  0,88% para 0,84%. Para as empresas, a operação de cheque, por exemplo, cai de 1,26% ao mês para 1,22%. As novas tarifas começam a valer em 5 de agosto.
Em comunicado, o Itaú Unibanco afirmou que repassará integralmente o corte de 0,5 ponto percentual da Selic para seus clientes a partir do dia 5. O banco não detalhou quais são as taxas cobradas hoje e como ficarão os juros das operações, mas disse que o repasse será no crédito para pessoas físicas e em capital de giro para empresas.

Itaú Unibanco e Banco do Brasil anunciam corte nas taxas de juros para pessoa física e empresas

Itaú Unibanco e Banco do Brasil, além da Caixa Econômica Federal, anunciaram na última quarta-feira, 31, redução em suas taxas de juros depois do corte na Selic.

O Itaú informou que vai repassar integralmente o corte de 0,50 ponto porcentual na taxa básica, que agora está em 6% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O banco não divulgou, contudo, as taxas que passarão a valer após o movimento, apenas - para pessoa física, a redução será no empréstimo pessoal e, no caso de pessoa jurídica, no capital de giro.
O Banco do Brasil vai reduzir os juros para pessoas físicas, jurídicas e no financiamento imobiliário, a partir da próxima segunda-feira, 5.
As taxas mínimas do financiamento imobiliário no BB para pessoa física passarão de 8,49% para 8,29% ao ano, nas linhas para aquisição de imóveis por meio do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Na carteira hipotecária, o juro passou de 8,85% para 8,65% ao ano.
O financiamento para a compra de veículos também ficará mais barato. Na linha em que o cliente oferece seu automóvel como garantia, a taxa mínima pelo BB será reduzida de 1,57% para 1,53% ao mês. A condição vale apenas para contratações feitas no aplicativo do BB.
Já o juro do crédito para a compra de veículos novos e seminovos, contratados pelo mobile passará para 0,84% ao mês, ante 0,88% ao mês cobrados até então.
Nas linhas de empréstimo pessoal sem garantia, o BB reduzirá sua taxa mínima de 2,99% para 2,95% ao mês. No cheque especial, passará de 1,99% para 1,95% ao mês.
Empresas - O BB também cortará os juros para pessoas jurídicas. Na linha desconto de cheque - prazo de 30 dias, os juros mínimos passarão de 1,26% para 1,22% ao mês. Para o desconto de títulos (30 dias), a queda é de 1,16% para 1,12% ao mês.
Os juros para empresas tomarem capital de giro também foram cortados. As taxas mínimas das linhas BB Giro Digital e BB Giro Empresa para até 360 dias cairão de 2,52% para 2,48% ao mês e de 0,95% para 0,91% ao mês, respectivamente.

sábado, 20 de julho de 2019

Construtoras não querem que governo libere FGTS porque temem ficar sem obra


O governo deve liberar em breve o saque de parte do saldo das contas ativasdo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Embora o dinheiro extra possa representar um alívio para muitos brasileiros, empresas do ramo de construção civil veem com preocupação a medida.
O setor teme que falte dinheiro para tocar obras do Minha Casa, Minha Vida, uma vez que os financiamentos para a compra e a construção de moradias do programa usam recursos do fundo. Segundo afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes, até 35% do valor depositado pelo empregador atual poderá ser retirado das contas.
Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, afirmou que a liberação do saque do FGTS seria um duro golpe no setor. "O Minha Casa Minha Vida tem sido o motor do mercado nos últimos anos", disse.
Opinião semelhante foi compartilhada pelo Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). "Um saque na ordem de R$ 42 bilhões, como foi falado, vai mexer com a liquidez do fundo. Todos os empresários do setor estão inseguros", afirmou o vice-presidente de habitação da entidade, Ronaldo Cury.
Um desses empresários é Rafael Menin, copresidente da construtora MRV, maior operadora do Minha Casa Minha Vida. "Uma ação do governo federal que possa diminuir a liquidez do fundo não seria boa para o setor", declarou. "Confiamos na capacidade técnica dos membros do governo e esperamos que não tomem nenhuma medida estabanada que afete a continuidade do programa."
Saques podem impactar construtoras, diz banco - Na avaliação de analistas do Credit Suisse, segundo relatado pela agência de notícias Reuters, a eventual liberação de saque dos recursos de contas ativas do FGTS pode afetar os planos de crescimento de construtoras com foco na baixa renda, mas deve ajudar companhias de shopping centers.
Em relatório enviado a clientes do banco, os analistas do Credit Suisse apontam que a liberação pode representar menos recursos disponíveis para emprestar para moradias de baixa renda, o que poderia afetar os planos de crescimento de companhias como MRV, Direcional e Tenda.
Por outro lado, os especialistas entendem que isso poderia aumentar a confiança dos empresários no setor de varejo e desencadear mais aberturas de lojas.
FGTS pode ser usado para a compra da casa própria - O saldo do FGTS só pode ser sacado em algumas ocasiões pelo trabalhador, como em caso de demissão sem justa causa ou para comprar a casa própria. Para quem vai financiar um imóvel, o dinheiro no fundo pode ser usado em três momentos: na entrada, para reduzir o saldo devedor e para pagar parcelas em atraso.
Em todos os casos, o saldo do fundo só poderá ser usado se o imóvel custar, no máximo, R$ 1,5 milhão. Além disso, o trabalhador que vai sacar o dinheiro precisa atender a alguns requisitos:
  • ter, no mínimo, três anos de trabalho com carteira assinada
  • não ser dono de outro imóvel localizado no município de sua atual residência, ou onde exerce seu trabalho principal, incluindo os municípios limítrofes e integrantes da mesma região metropolitana
  • não possuir financiamento ativo no Sistema Financeiro de Habitação (SFH)
No caso de quem tem parcelas do financiamento em atraso, só é possível usar o FGTS para quitar até 80% de cada prestação atrasada, com limite de até 12 mensalidades. 

Penhora de imóvel



O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou provimento ao recurso das proprietárias de um apartamento que invocavam a impenhorabilidade do bem de família dado em garantia de empréstimo para empresa pertencente a uma das donas do imóvel. Para a 4ª Turma, a regra da impenhorabilidade do bem de família não pode ser aplicada quando há violação do princípio da boa-fé objetiva. "Não se admite a proteção irrestrita do bem de família se esse amparo significar o alijamento da garantia após o inadimplemento do débito, contrariando a ética e a boa-fé, indispensáveis em todas as relações negociais", afirmou o relator do recurso (REsp 1559348) no STJ, ministro Luis Felipe Salomão. Segundo os autos, uma das proprietárias do apartamento pegou emprestado o valor de R$ 1,1 milhão no banco, com o objetivo de formar capital de giro na empresa da qual é a única dona. Na operação, ofereceu como garantia o imóvel que possui em conjunto com outra pessoa, e ambas assinaram voluntariamente o contrato de alienação fiduciária. Como a empresária não estava pagando as parcelas do empréstimo, o banco entrou com o pedido de execução da garantia.

Caixa prepara modelo de crédito imobiliário que reduz juros a faixa de 6% ao ano


A Caixa Econômica Federal aguarda autorização do Banco Central para anunciar, nas próximas semanas, uma redução de até 31,5% dos juros dos financiamentos imobiliários.
Como o banco estatal detém mais de 70% do crédito habitacional do país, outras instituições também podem derrubar suas taxas para evitar a perda de novos clientes.
Atualmente, os contratos de financiamento habitacional são corrigidos pela TR (Taxa Referencial, hoje zerada). Os bancos cobram um adicional que costuma variar de 8,5% a 9,5%.
Com a mudança, a Caixa vai reajustar os contratos pela inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O IBGE aferiu que esse índice deve fechar em 3,82% neste ano.
Apesar de aplicar uma correção que hoje inexiste, na outra ponta o banco abrirá mão, em um montante maior, de suas próprias taxas, que acabam por onerar os empréstimos concedidos.
O que ainda está em discussão na Caixa é a taxa adicional, que poderá variar de 2% a 3%.
Clientes da Caixa ou com boa avaliação de crédito na praça pagarão juros menores. Isso significa que, na prática, o juro total sofrerá cortes entre 28% e 31,5% em relação ao modelo vigente.
Somando juros e taxas cobrados, seriam 8,5% (no modelo pela TR), ante 5,82% (no modelo pelo IPCA), e 9,5% (pela TR), ante 6,82% (pelo IPCA).
A direção da Caixa e a equipe econômica, que avalizou a mudança, pretendia fazer o anúncio na próxima semana alinhando-se com uma possível redução da Selic, a taxa básica de juros da economia que está em 6,5% ao ano.
No entanto, o Banco Central ainda avalia o pedido de mudança dos indexadores. Caso aprovada, a nova regra só valerá para novos contratos. Não será possível migrar de um modelo para outro.
Com a redução dos juros, o banco pretende estimular novos empréstimos e, com a receita desses pagamentos, emitir títulos imobiliários no mercado.
O movimento, no entanto, é completamente diferente daquele implementado pela ex-presidente Dilma Rousseff, que, em 2012, forçou a Caixa e o Banco do Brasil a cortar juros nos empréstimos.
A iniciativa de Dilma não deu resultado. Na época do governo da petista, os bancos amargaram prejuízos e, pouco depois, voltaram atrás elevando suas taxas.
Desta vez, a ideia da Caixa é reduzir os juros ao trocar o indexador dos contratos, o que permitirá usar o fluxo de pagamento dos financiamentos como lastro para a emissão de títulos a serem negociados no mercado —um processo conhecido como securitização.
Com os recursos da venda de papéis, a Caixa poderá conceder novos financiamentos, amortizando custos.
Recentemente, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estimou que poderá emitir até R$ 100 bilhões em papéis lastreados com financiamentos imobiliários. No primeiro ano, esse número seria de R$ 10 bilhões.
Cálculos conservadores indicam que a Caixa poderia dobrar sua carteira de crédito habitacional, passando dos atuais R$ 449 bilhões, no primeiro trimestre deste ano, para quase R$ 1 trilhão.
Nos EUA, o mercado de securitização imobiliária causou uma das mais graves crises financeiras mundiais. Em 2008, grandes bancos foram à lona por terem adquirido títulos podres de hipotecas americanas.
Para evitar esse risco, a Caixa só vai securitizar financiamentos com índice baixo de inadimplência. Contratos do Minha Casa Minha Vida, por exemplo, ficarão fora.
Hoje, mais de 90% de sua carteira de crédito imobiliário tem atraso de, no máximo, dois meses.
“Para o investidor, é muito melhor você comprar um papel que segue um indicador de mercado [o IPCA, que mede a inflação]”, diz Daniel Malheiros, sócio da RBR Asset. “A TR é um índice muito sensível ao risco de governo.”
Para Malheiros, a mudança levaria o investidor a considerar a compra de um título imobiliário. Hoje, quem compra um título do Tesouro já prefere o pós-fixado. “Os [títulos do Tesouro] mais procurados são aqueles corrigidos pela inflação.”
A iniciativa da Caixa está alinhada com uma estratégia do governo de reacender a economia, que flerta com a recessão.
Desde o início do governo Jair Bolsonaro, há seis meses, a equipe econômica rebaixou três vezes a estimativa oficial de crescimento para este ano.
A área de construção costuma ser o principal sensor da atividade econômica.
Quando o setor vai bem, passa a contratar, arrastando outros ramos de atividade porque está entre os que mais demandam trabalhadores.
Até o momento, a Caixa tinha anunciado uma redução de 1,25 ponto percentual nas taxas de juros para financiamentos imobiliários concedidos com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que hoje responde por quase 40% do total dos financiamentos.
Também abriu rodadas de renegociação de contratos em atraso concedendo, em alguns casos, até 90% de descontos de juros. Essa campanha atingiu 2,3 milhões de pessoas.
No governo e na cúpula do banco, a redução ampla dos juros imobiliários é considerada uma “revolução”. O plano foi traçado por Guimarães, da Caixa, durante a transição.
Essa queda faz parte de um conjunto de medidas para reaquecer a economia que devem ser anunciadas pelo presidente Jair Bolsonaro.
Dentre elas, está a possibilidade de saques das contas ativas e inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do PIS/Pasep, quepodem movimentar mais R$ 30 bilhões.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, só pretendia liberar os saques depois de aprovada a reforma da Previdência no Congresso.
No entanto, com a queda consecutiva da atividade econômica, preferiu dar uma injeção no PIB, que pode crescer até 0,4 ponto percentual com essa medida.

sábado, 6 de julho de 2019

Condomínios não podem mais proibir pets em apartamentos

polêmica sobre moradores terem ou não animais de estimação em seus apartamentos é antiga. Para alguns, são fofinhos e companheiros, e fazem parte da família. Mas, para outros, causam incômodo pelo barulho e pelo cheiro e não deveriam estar num espaço comunitário, como um condomínio.



A briga, porém, ganhou um novo capítulo no mês passado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os condomínios não podem proibir seus moradores de criar animais de estimação — desde que os bichos não ponham em risco a segurança e a tranquilidade daqueles que lá residem.A decisão aconteceu depois que uma enfermeira de Brasília teve o pedido para manter uma gata em seu apartamento negado duas vezes. O caso foi parar no STJ, que entendeu que a restrição era ilegítima, pois o animal não é nocivo aos condôminos.
Os advogados Leandro Sender e Denise Rocha, especialistas em condomínios, explicam que não há nenhuma lei específica sobre ter ou não animais de estimação nos edifícios. Hoje, as proibições ou permissões são determinadas por cada condomínio por meio de suas convenções.
Com a decisão do STJ, isso pode mudar e abrir precedente para que os Tribunais Estaduais sigam a mesma linha de entendimento.
— No processo julgado pelo STJ, o relator, ministro Villas Bôas Cueva, destacou que é garantido ao condômino o direito de usar e fruir de sua unidade, ao passo que não pode a entidade condominial criar regras que limitem o direito constitucional de propriedade dos moradores — destaca Sender.
— Os indivíduos que se sentirem lesados, seja com a vedação ou com a permissão do condomínio, poderão ingressar com ação judicial, usando a decisão da 3ª Turma do STJ como base legal — acrescenta Denise.
Os dois lados
Em uma prédio na Lapa, a estudante de filosofia Jessica Linhares teve problemas ao adotar um cachorro e uma gata, mesmo sendo permitida a presença deles.
— No início, havia muita pressão para que não os tivesse. Botaram um aviso dizendo que cães grandes eram proibidos. A cada latido, a síndica me ligava. Eu sabia que era proibido proibir, então, a cada reclamação eu questionava sobre os outros barulhos que também incomodam. Agora está mais tranquilo e outras pessoas passaram a ter animais de estimação em casa.
Uma delas é a sua amiga Aimée Magalhães, que se mudou para o mesmo prédio após adotar um cachorro e ter problemas no antigo condomínio em que morava. Ela também acha injustas a proibição e as reclamações.
— A lei maior deve ser o bom senso. É normal um cachorro latir, assim como acontece de um bebê chorar alto de madrugada. É preciso ter tolerância. Dizer que não pode ter animal de estimação é limitar o espaço do vizinho — diz Aimée, que pondera:
— Pode acontecer de um cachorro latir alto o dia todo, mas é uma situação atípica que tem que ser averiguada, porque algo está errado. No geral, são apenas latidos normais.Já o engenheiro Heraldo Melo diz que muitas vezes não é apenas um latido, e que o barulho intenso e diário é perturbador para os vizinhos. Ele conta que em seu prédio, em Icaraí, havia um morador que tinha um cachorro e um gato e que o cheiro no elevador e no corredor o incomodavam tanto quanto o medo de ser mordido. O caso foi levado para a assembleia e o casal de donos dos bichos mudou-se para uma casa.
— Se for um passarinho, não incomoda. É diferente de um cachorro, que não para de latir o dia inteiro depois que o dono sai para trabalhar e o deixa sozinho.
A diretora da Precisão Empreendimentos Imobiliários, Sonia Chalfin, acredita que a situação ideal é que o condomínio elabore normas de convivência para garantir a harmonia dos moradores que tenham opiniões divergentes sobre o assunto.
— Os animais de estimação não podem ser excluídos do convívio em condomínios desde que não representem risco à comunidade e à tranquilidade dos moradores. Os animais domésticos participam ativamente na vida das pessoas, trazendo segurança e companhia, ajudando em tratamentos terapêuticos, e ainda têm um espaço importante nas relações familiares.
Tolerância e bom senso para a boa convivência
A advogada Denise salienta que, na maioria dos casos, os condôminos reclamam de barulho e mau cheiro nas áreas comuns causadas pelos pets, e que essa questão deve ser avaliada se for realmente prejudicial para a segurança, a higiene ou o sossego dos demais condôminos.
Ela frisa, contudo, que também há casos em que os condôminos reclamam da simples presença dos animais, sem qualquer motivo específico, alegando que não são obrigados a conviver com animais alheios.
— É óbvio que cachorros latem, pássaros cantam e gatos miam. Mas o simples fato de os bichos emitirem sons não é motivo para caracterizar incômodo ou outro tipo de prejuízo. É preciso bom senso e ver se o animal provoca barulho excessivo, avança em outros moradores, invade espaços privados ou inadequados e faz necessidade em locais públicos, por exemplo.
Se, de fato, houver problemas como estes e o dono do bicho não resolver, o morador deve ser notificado e, nada sendo feito, poderão ser aplicadas as sanções previstas na convenção.
— Se o morador não solucionar o problema causado, o condomínio ou o vizinho que se sinta prejudicado devem buscar a esfera judicial para impedir a criação do animal específico — diz Sender.
O advogado acrescenta que, por outro lado, aqueles que defendem a criação devem amparar-se no direito constitucional de propriedade — os demais moradores não podem interferir nos limites de um imóvel.
— Vale mencionar que, para impedir determinado morador de criar algum animal doméstico, não basta alegar prejuízos mas, sim, apresentar prova concreta e robusta neste sentido — finaliza ele.

Saiba o que é e como funciona a portabilidade de financiamento imobiliário


A portabilidade de financiamento imobiliário é a transferência da dívida bancária de uma instituição financeira para outra. Mas qual a vantagem de fazer essa movimentação? Buscar melhores taxas de juros e de administração junto a outros bancos.
Como fazer - Quem estiver interessado pode obter informações sobre seu débito na instituição financeira original e negociar as condições mais vantajosas em outras instituições. Mas há exigências na hora de fazer esta portabilidade, como a necessidade de nova análise de crédito e reavaliação do valor do imóvel.
“É importante que, ao negociar com outra instituição financeira, o devedor tenha em mira o Custo Efetivo Total (CET) da operação. Somente juros atrativos não significam a melhora nas condições gerais do financiamento imobiliário”, diz a advogada Josiane Mafra, especialista em mercado imobiliário.
O CET corresponde ao valor dos juros e de todas as outras taxas cobradas pelo financiamento, incluindo, por exemplo, a Taxa Referencial. “O processo em si de portabilidade imobiliária deve ser feito de forma gratuita, ou seja, o consumidor é isento de qualquer taxa bancária”, fala Josiane.