sexta-feira, 26 de junho de 2026

Aluguel comercial tem maior alta mensal desde 2012


O mercado de imóveis comerciais no Brasil registrou em maio de 2026 a maior valorização mensal do aluguel desde abril de 2012, segundo o Índice FipeZap de Venda e Locação Comercial. A média ponderada das dez cidades monitoradas apontou um aumento de 1,48% nos preços de locação em relação a abril, enquanto o índice de venda avançou apenas 0,20% no mesmo período.

Nos últimos 12 meses, a valorização acumulada dos aluguéis comerciais chegou a 10,60%, superando significativamente os preços de venda. Entre 2015 e 2023, o mercado de venda comercial enfrentou nove anos consecutivos de retração nominal. A recuperação só se tornou mais evidente em 2025, com alta de 2,55%. Nos últimos 12 meses até maio de 2026, atingiu 2,26%.

Apesar de ter passado por quedas entre 2014 e 2020, a locação comercial iniciou uma trajetória de alta a partir de 2021. Os aumentos recentes foram expressivos: 7,88% em 2024, 8,91% em 2025 e 10,60% no acumulado de 12 meses até maio de 2026. O acumulado estimado de 2014 a 2025 mostra que a venda comercial acumulou queda nominal de cerca de 11%, enquanto os aluguéis registraram variação positiva superior a 1%, impulsionada pelos aumentos nos últimos anos.

Desempenho por cidade

O crescimento da locação foi desigual entre as cidades. Salvador registrou alta de 0,53% no mês, mas impressionantes 19,52% em 12 meses. Brasília (+3,48%), Rio de Janeiro (+3,31%) e Curitiba (+2,01%) também tiveram aumentos expressivos. As menores altas mensais ocorreram em Campinas (+0,18%) e Salvador (+0,53%), apesar do crescimento anual expressivo na capital baiana.

Já na venda comercial, Florianópolis teve valorização de 1,15%, enquanto Salvador registrou retração de 0,76%. O levantamento consolida o preço médio por metro quadrado e acompanha o comportamento histórico de salas e conjuntos comerciais de até 200 metros quadros, oferecendo um panorama detalhado para investidores e operadores do mercado corporativo.

Rentabilidade do aluguel comercial

O Índice FipeZap também traz dados sobre a rentabilidade do aluguel comercial, conhecida como rental yield, calculada como a razão entre o preço médio de locação e o preço médio de venda. Em maio de 2026, o retorno médio anualizado do aluguel comercial atingiu 7,47% ao ano, acima do retorno projetado para imóveis residenciais, de 6,11% ao ano.

No entanto, ambos ainda ficam abaixo do retorno médio projetado para aplicações financeiras de referência nos próximos 12 meses.

Entre as cidades monitoradas, Salvador lidera a rentabilidade, com 11,28% ao ano, seguida por Campinas (8,83%), Rio de Janeiro (7,78%), Brasília (7,60%) e São Paulo (7,28%). Niterói (6,91%), Florianópolis (6,73%), Belo Horizonte (6,66%), Porto Alegre (6,48%) e Curitiba (6,10%) completam a lista.

O estudo reforça a atratividade do segmento comercial para investidores que buscam retornos superiores ao mercado residencial, destacando oportunidades em capitais com maior potencial de rentabilidade, como Salvador e Campinas.


 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Cartórios padronizam registro de imóveis


Os cartórios de imóveis do país vão padronizar o registro eletrônico, com base em parâmetros estabelecidos pelo Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR). O órgão, de abrangência nacional, publicou a Instrução Técnica de Normalização nº 4/2026, que estabelece as bases técnicas do sistema e define como atos, documentos e informações devem ser estruturados.

Uma das expectativas de curto prazo com a medida é de maior agilidade na análise de crédito pelos bancos. No longo prazo, de que o ganho de eficiência leve à redução do spread bancário cobrado nas operações imobiliárias.

Serão afetados pela mudança todos os 3.621 cartórios de registro de imóveis dos Estados e do Distrito Federal, que estão sob o guarda-chuva do ONR, por meio da atualização do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI). Segundo o próprio ONR, atualmente, uma mesma operação (compra, venda ou financiamento de um bem) pode ter nomes, formatos e estruturas diferentes dependendo do Estado, o que dificulta a integração com bancos e impede a automação em larga escala.

Fernando Nascimento, vice-presidente do ONR, explica que o oficial de registro tem liberdade para redigir os atos, priorizando uma estrutura narrativa. Em um modelo digital integrado, no entanto, que precisa de diálogo entre os sistemas, a falta de padrão vira empecilho.

“E existem divergências entre os Estados, como características locais de linguagem. Às vezes há normas e orientações locais para padronização que criam ‘despadronização’ com os sistemas de outros locais, com textos, nomenclaturas e estruturas usadas”, afirma.

Nascimento explica que hoje é necessário que um banco mantenha uma equipe de pessoas para interpretar os documentos de certidão de imóvel para ser usado como garantia, por exemplo. Essa necessidade, diz ele, será minimizada com a padronização nacional.

“A pessoa pode ter mudado de estado civil, o imóvel pode ter mudado de características com uma construção adjacente, ou o imóvel pode ter sido usado em garantia que já foi paga, mas o registro continua lá. O banco precisa interpretar todas essas informações hoje para chegar à situação atualizada do imóvel, se tem ônus, gravame”, explica.

Com a padronização, acrescenta, a intenção é agilizar esse procedimento ao trazer uma versão estruturada e atualizada para a leitura das máquinas, diminuindo a necessidade de intervenção humana. “Um financiamento imobiliário, que costuma ter várias etapas, ir e voltar entre o banco e o cartório, pode ter o prazo reduzido. O processo tende a ficar mais rápido e, consequentemente, mais barato”, afirma.

“Se o banco tem o menor custo para operacionalizar o financiamento, esse menor custo vai ser refletido na taxa de juros”, diz Nascimento.

Thiago de Campos Visnadi, da Campos Visnadi Soluções Jurídicas, destaca que o principal impacto da padronização para o mercado imobiliário é a interoperabilidade dos dados. “A transição de dados em PDF para dados estruturados em outros formatos permite que os sistemas de bancos, incorporadoras e órgãos públicos leiam essas informações automaticamente, o que agiliza a análise de crédito”, diz o advogado.

Apesar dos ganhos inegáveis de eficiência e segurança, a iniciativa não é capaz de suprir o descolamento entre o ambiente altamente regulado dos registros e as estruturas de mercado, conforme a avaliação do advogado Marc Stalder, sócio de Direito Imobiliário do Demarest.

“As ferramentas de inteligência artificial hoje fazem esse tipo de trabalho independentemente da formatação do documento. Tanto faz o tipo do contrato, a forma ou até mesmo a língua em que ele está, as ferramentas conseguem extrair de qualquer documento a informação que ela foi programada para extrair”, afirma o advogado.

Segundo ele, a medida mostra “um caminho muito próprio dos registros públicos para a montagem do seu sistema, quando o mercado todo está fazendo isso com uma liberdade própria que abre uma gama de possibilidades infinitamente maior que a do registro de imóveis”.

Entre as dificuldades de implementação, Visnadi destaca a integração dos cartórios que já têm sistemas próprios ou mesmo funcionem de forma predominantemente analógica. “Migrar para esse tipo de padrão exige um investimento e treinamento de pessoal que pode a princípio trazer certa dificuldade”, diz. A autonomia das corregedorias estaduais, acrescenta, também pode ser um empecilho ou gerar interpretação divergente sobre a aplicação prática das novas regras.

De acordo com Fernando Nascimento, algumas dificuldades são esperadas, como em qualquer atualização de sistema, mas não devem interferir no resultado final. “Os cartórios vão fazer adequações nos sistemas, os bancos também, além de todo o mercado imobiliário. Corretores, despachantes, advogados, tabelionatos. Mas a gente acredita que vai ser um processo natural e orgânico. O mercado de certa forma já esperava esse movimento, já demandava essa estruturação.”