quarta-feira, 29 de abril de 2020

Grandes bancos liberam R$ 265,6 bi em 30 dias

DADO DA FEBRABAN, QUE INCLUI CONCESSÃO NOVA, RENOVAÇÃO E PRORROGAÇÃO, MOSTRA ALTA DE CERCA DE 22%


Os cinco maiores bancos do país - Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa - emprestaram R$ 265,6 bilhões entre 16 de março e 17 de abril, primeiro mês da crise gerada pelo coronavírus, segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Embora as novas concessões representem aumento em relação ao ano passado, ainda há relatos de dificuldade de acesso ao crédito por parte de empresas menores e alguns setores da economia.
Os dados da Febraban, que incluem novas operações de empréstimos e financiamentos, renovação de contratos e prorrogação de parcelas, mostram crescimento de quase 22% em relação ao mês de março do ano passado - segundo a entidade, não há como comparar com o mesmo período de 2019

“Os números demonstram que não está havendo empoçamento de liquidez. Ao contrário, os bancos concederam mais crédito, apesar do aumento do risco e do custo de captação”, disse ao Valor o presidente da Febraban, Isaac Sidney Ferreira. Ele afirmou que as instituições financeiras aumentaram a concessão, refletindo as medidas anunciadas pelo Banco Central para reforçar a liquidez e pelos próprios bancos, que estão prorrogando os prazos dos contratos.
A avaliação no BC é que as pequenas empresas ainda enfrentam dificuldades para ter acesso a crédito, ainda que, de formal geral, o mercado venha atendendo à demanda das companhias por empréstimos. “A concessão de crédito voltou a crescer. Obviamente, existe ainda uma preocupação de o crédito chegar no pequeno empresário, pequena empresa. O BC está tomando todas as ações possíveis para que isso aconteça”, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ontem no Palácio da Alvorada, ao lado do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.
Desde o início da crise, a autoridade monetária já adotou iniciativas com potencial de injetar R$ 1,2 trilhão em liquidez no sistema financeiro. “O BC foi o primeiro do mundo que tomou medidas grandes de liquidez e capital, para deixar o sistema financeiro sólido. A gente tem visto resultados disso”, afirmou Campos.
Nas 15 primeiras semanas de 2020 (até 9 de abril), as concessões de crédito livre para pessoas jurídicas atingiram R$ 498,5 bilhões, conforme divulgado ontem pelo BC - alta de 35,5% ante o mesmo período de 2019. Os dados não incluem cheque especial e cartão de crédito.
No intervalo de 30 dias até 17 de abril, segundo a Febraban, os bancos concederam R$ 176,9 bilhões em crédito novo. Desse total, R$ 101,05 bilhões foram para grandes empresas, muitas das quais procuraram sacar linhas pré-aprovadas para reforçar o caixa no início da crise. Executivos dos bancos já afirmaram que a procura das maiores companhias por recursos levou a um estreitamento momentâneo de liquidez e a um aumento nas taxas de juros cobradas desse segmento. De acordo com eles, a situação já foi normalizada.
Empresas médias contrataram R$ 16,962 bilhões e renovaram outros R$ 13,215 bilhões. Os empréstimos a micro e pequenas empresas somaram R$ 20,451 bilhões e as renovações, R$ 18,731 bilhões. No crédito rural, o crédito novo foi de R$ 2,510 bilhões e as renovações, de R$ 194 milhões.
Entidades representativas do varejo ainda relatam dificuldades das empresas, principalmente as pequenas e médias, em ter acesso a crédito bancário. “De cada dez empresas que tentam, uma tem conseguido”, disse Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). “E quem tem relação com bancos públicos consegue boas taxas, nos bancos privados continua difícil, chegando a ser três vezes maior”, complementou.
Solmucci acredita que a situação pode melhorar com a aprovação, no Congresso, de uma linha de crédito de R$ 10,9 bilhões, com recursos do Tesouro, a micro e pequenas empresas. Além disso, companhias dos setores têxtil e de bares e restaurantes poderão ser incluídas no socorro que vem sendo costurado por BNDES e grandes bancos para os segmentos mais atingidos pela crise.
No fim de março, associações que representam grandes varejistas, shopping centers e lojistas encaminharam uma carta ao presidente do BC e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, com críticas aos bancos devido ao aumento expressivo de taxas de juros em meio à crise. Segundo o Valor apurou, não houve resposta ao questionamento desses setores.
Em relação às pessoas físicas, as concessões de novas operações nas modalidades consignado, financiamento de veículos, crédito imobiliário e crédito pessoal totalizaram R$ 35,965 bilhões no mês encerrado em 17 de abril. As renovações para o segmento foram de R$ 23,819 bilhões.
Além dessas operações, os bancos renegociaram 3,8 milhões de contratos de pessoas físicas e jurídicas com pagamentos em dia, que têm saldo devedor de R$ 230,6 bilhões. Segundo a Febraban, as parcelas suspensas até agora somam R$ 22,2 bilhões. Os prazos de carência vão de 60 a 180 dias, conforme o banco e a operação.
A soma de crédito novo, renovações de contratos, parcelas postergadas e o saldo devedor das repactuações é de R$ 474,1 bilhões, conforme o levantamento. Segundo Ferreira, além do dinheiro propriamente novo, as renovações e as repactuações também representam caixa disponível para os clientes dos bancos, por isso também são calculadas como concessão. “Em síntese, o crédito não está sendo represado nos bancos”, afirmou.
Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban, explicou que renovações e prorrogações de parcelas também são concessões, já que nessas operações os contratos são liquidados e refeitos. O presidente da Febraban acrescentou que todos os segmentos de clientes têm sido contemplados na oferta de crédito. Mas, colocando na conta dinheiro novo, renovação e prorrogações, as grandes empresas ficaram com 61% dos recursos, em linha com o patamar apresentado em março do ano passado.

Venda de imóveis será incentivada por juros baixos, diz setor imobiliário


ATUALMENTE, AS TAXAS DO FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIOS VARIAM DE 6,5% AO ANO ATÉ 8% AO ANO NOS GRANDES BANCOS

A venda e compra de imóveis em todo o país deve retomar o ritmo de crescimento até o final do ano. Apesar do cenário ser ainda muito incerto em relação ao retorno da atividade econômica, especialistas do setor imobiliário se mostram otimistas e acreditam que a crise não deve penalizar fortemente o setor. 
Basilio Jafet, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), afirma que não ainda não é possível mensurar o impacto da pandemia de coronavírus (covid-19) no setor.
Mensalmente, o Secovi-SP divulga uma pesquisa sobre as vendas de novas unidades residenciais na capital paulista. Os dados de março ainda não foram apresentados, mas é esperado que o resultado seja bem inferior aos dados de janeiro e fevereiro deste ano. “A compra de um imóvel é uma enorme responsabilidade. As visitas as unidades caíram 70%, o que é super compreensível. Ninguém compra um imóvel sem poder visitar.” 
Se as visitas físicas caíram, a busca online por imóveis registraram um aumento expressivo. No Imovelweb, site de compra e aluguel de imóveis, houve um aumento na busca por imóveis de 68% nesta última semana de abril, frente ao mesmo período de março. 
Para Tiago Galdino, diretor financeiro do Imovelweb, este aumento não significa que negócio será fechado rapidamente, mas é um forte indicador no processo do ciclo da compra de um imóvel.  “Nas primeiras semanas de março, houve uma queda de 33% nas buscas de imóveis no portal porque ninguém saiba o que iria acontecer. Já em abril, nota-se um início de recuperação.” 
Juro e estoque baixos
A possível recuperação do setor imobiliário se deve principalmente pela taxa de juros estar no menor patamar da história. Com a Selic em 3,75% ao ano, as taxas do financiamento imobiliários variam de 6,5% ao ano até 8% ao ano nos grandes bancos, o que é considerado bem atrativo ao consumidor. 

A Caixa também anunciou uma carência de seis meses (180 dias) para o início do pagamento das prestações de financiamento de imóveis novos para todas as linhas de crédito habitacional do banco. “Quem está empregado e já pensava comprar o imóvel, a oportunidade é agora. Se a Selic subir, o juro do financiamento imobiliário sobe também”, acrescenta Galdino.
Somado a isso, atualmente, o mercado imobiliário apresenta um estoque baixo de imóveis. Em São Paulo, por exemplo, em fevereiro, o número de imóveis em estoque (aqueles que não foram vendidos até três anos após o lançamento) era de 30.750. Em dezembro do ano passado, o estoque era de 34.019. 
Com a oferta baixa de imóveis, a expectativa é que não haja queda no preço do metro quadrado, Além disso, Jafet acrescenta que incorporadoras estão capitalizadas e com menos dívidas. “Os lançamentos foram postergados e os custos que envolvem a construção de um imóvel subiram nos últimos dois anos.”

Vem comprar 
Para incentivar a venda no setor, construtoras e incorporadoras iniciaram uma operação nacional de estímulo à compra de imóveis. A campanha “Vem Morar”, articulada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) tem parceria com a Caixa e inclui tanto imóveis econômicos e unidades do programa Minha Casa Minha Vida quanto empreendimentos de alto padrão com desconto mínimo de 3.000 reais sobre o valor do imóvel.

A iniciativa terá duração inicial de 60 dias e visa não apenas preservar o emprego como, também, gerar novos postos de trabalho na construção civil durante a pandemia pelo novo coronavírus.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Taxa de condomínio só pode ser alterada por decisão coletiva

CRISE DO CORONAVÍRUS NÃO ISENTA MORADORES DE MENSALIDADE, VITAL PARA A GESTÃO DE CONDOMÍNIOS. SÍNDICOS DEVEM BUSCAR ALTERNATIVAS PARA EVITAR QUEBRA DE CAIXA

Não há escapatória para quem busca riscar a taxa condominial do orçamento. Ainda que os dias sejam de pandemia, não é possível extirpar a cobrança, prevista em lei, mesmo sob a alegação de dificuldades financeiras impostas pela crise do novo coronavírus. Redução da cobrança ou flexibilização do pagamento de mensalidades atrasadas, todavia, podem ser apreciadas e decididas em assembleia de moradores. Síndicos têm papel decisivo neste processo, apontam especialistas.

O Código Civil brasileiro determina que condôminos são obrigados, “na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita”. A falta de pagamento, inclusive, pode levar à penhora do imóvel. Enquanto o aluguel parte de uma relação contratual e pode ser negociado diretamente entre locador e locatário, a taxa condominial está ligada à propriedade do imóvel, ou seja, quem o adquire assume esta despesa até quando durar a posse do bem.
Além disso, como a mensalidade tem um caráter coletivo, já que a taxa representa um rateio entre todos os moradores, o não pagamento atinge os vizinhos e põe em risco, por exemplo, a manutenção de serviços essenciais, como limpeza e segurança. “Se todo mundo puder alegar (como justificativa) a pandemia, tudo para”, analisa William Ferreira, coordenador da pós-graduação de Direito Imobiliário da PUC-SP. O docente e advogado explica que os motivos individuais não podem se sobrepor às obrigações coletivas, sob o risco do próprio condomínio entrar em “lockdown”.

“O condomínio tem suas responsabilidades. (Despesa com) água, luz, funcionários. Esse tipo de equação é um pouco difícil, porque a conta do condomínio é tua também, no porcentual que te cabe”, lembra William. Como os condomínios tiveram que restringir o acesso a áreas comuns, por questões de segurança dos moradores, há quem pense na possibilidade de haver uma redução da taxa, já que diversos itens não estão sendo utilizados, como sauna e academia.

Para o professor de Direito Civil da USP Eduardo Tomasevicius Filho, contudo, essa não seria uma “justificativa razoável” e poderia colocar em risco o caixa da administração. “Não é por que agora há uma pandemia, cujo acesso (das áreas comuns) está restrito, que o condômino não vai poder pagar. Quando (a área) estava livre, usando ou não, ele tinha que pagar”, defende Eduardo.

Mais gastos com moradores confinados
Em um cenário sem pandemia, é comum se analisar a redução da mensalidade a partir da diminuição de custos de consumo de água, energia e gás, por exemplo. Mas com tanta gente em casa, ao mesmo tempo, devido ao confinamento, essa economia acaba se distanciando da realidade. O presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), Roberto Graiche, esclarece que a composição média dos gastos condominiais é de 40% a 60% de mão de obra, e de 20% a 30% de consumos e demais contratos de manutenção e materiais. Para ele, é difícil atingir uma economia significante “sem perda de qualidade na segurança e na limpeza ou no funcionamento de equipamentos essenciais”.
“Vale lembrar que essas reduções já vinham sendo feitas ao longo da crise econômica e do alto índice de desemprego. Lembrando também que, com o confinamento geral, a tendência é que o consumo das unidades autônomas suba substancialmente, principalmente água e gás”, diz Graiche. O síndico Eduardo de Vecchi diz que, no atual momento, uma redução da taxa seria “impossível”. Ele explica que seu condomínio, localizado na Vila Ipojuca, zona oeste de São Paulo, vive uma superlotação. “A quantidade de lixo que está sendo gerada no prédio hoje é inacreditável. É crítica a sua manutenção”, comenta o síndico.

Construtoras iniciam campanha de vendas de imóveis com descontos a partir de R$ 3 mil

INICIATIVA TERÁ DURAÇÃO DE 60 DIAS E VALE PARA IMÓVEIS DE TODOS OS PADRÕES, DESDE MORADIAS DO MINHA CASA MINHA VIDA ATÉ EMPREENDIMENTOS DE ALTO PADRÃO

O setor de construção está começando nesta quinta-feira, 23, uma campanha nacional de venda de imóveis com descontos de, no mínimo, R$ 3 mil. Batizada de "Vem Morar", a iniciativa terá duração de 60 dias e vai valer para imóveis de todos os padrões, desde moradias do programa Minha Casa Minha Vida até empreendimentos de alto padrão, onde os descontos poderão ser maiores.

A campanha foi anunciada em conferência online com jornalistas realiza pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). A Caixa Econômica Federal também está apoiando a divulgação da promoção. A medida já havia sido antecipada pelo Estadão/Broadcast em 9 de abril.

A intenção da campanha é dar uma injeção de ânimo aos consumidores, combinada com o pacote de incentivos anunciado há algumas semanas pela Caixa. O banco estatal concedeu seis meses de carência para o início do pagamento de novos empréstimos para aquisição da casa própria em meio à pandemia do coronavírus.

Além disso, decidiu antecipar recursos para obras das construtoras e paralisou por três meses o pagamento de financiamentos que já estavam em andamento, entre outras medidas.

Ao todo, o pacote da Caixa totaliza R$ 43 bilhões, considerando a concessão de crédito novo, antecipação de recursos e pausas na amortização. Como contrapartida, as empresas de construção se comprometeram a não demitir, preservando um total estimado de 1 milhão de empregados no setor.

"Numa campanha como esta, estamos tentando restabelecer o que tínhamos planejado. Não é um acréscimo, mas sim uma tentativa de manter o plano de vendas", afirmou o presidente da CBIC, José Carlos Martins, referindo-se à queda abrupta das vendas após o fechamento dos estandes em muitas cidades devido aos decretos locais para restrição da circulação de pessoas.

"As vendas permitirão um novo ciclo de lançamentos futuramente e vai ajudar a preservar os empregos", argumentou o presidente da Abrainc, Luiz França. "Quando acaba um ciclo de obras e um novo ciclo começa, os funcionários continuam trabalhando em novos canteiros."

O setor da construção tem 87% dos canteiros de obras em atividade. Entre os 600 mil operários, em torno de 600 são suspeitos de terem contraído o coronavírus e penas 4 casos foram confirmados, sem ocorrência de mortes até aqui, de acordo com o presidente da Abrainc.

Confira 5 vantagens de investir em imóveis na planta


O imóvel na planta é uma opção para quem tem mais tempo para planejar o pagamento das prestações ou deseja negociar a entrada, as parcelas e as condições do financiamento. Um dos receios da aquisição na planta é o atraso na entrega das chaves, mas a legislação brasileira passou a atuar para proteger as partes envolvidas.
O Código de Defesa do Consumidor, por exemplo, prevê que a construtora responsável tem um prazo de 180 dias após a data prevista de conclusão do empreendimento para entregar as chaves. Se isso não for cumprido, os consumidores podem exigir o recebimento do apartamento, aceitar outro produto ou serviço equivalente ou até mesmo rescindir o contrato. Confira as cinco principais vantagens dessa escolha:

Planejamento
O primeiro ponto positivo que o comprador tem é a possibilidade de realizar um planejamento maior e melhor, inclusive na questão do pagamento, já que terá o tempo a seu favor para executar todas as reformas e tomar providências com calma, sem improviso.
Descontos na compra
Para comprar um imóvel na planta, geralmente é necessário o pagamento de 20% a 30% do valor integral do imóvel como entrada, e o resto pode ser parcelado. Porém, quanto mais recursos o comprador tiver na entrada ou durante a obra, mais descontos poderá conseguir com a construtora.

Valorização
Um imóvel na planta está sujeito a valorização e isso pode ocorrer de acordo com o andamento das obras. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), o preço do imóvel pode subir entre 20% e 50% até ficar pronto. “Um exemplo foi o Cenário de Monet, que entregamos com dois meses de antecedência em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Quem comprou na época do lançamento, em 2016, viu a unidade valorizar mais de 40% na entrega em 2018”, conta Sheila Ferreira, gerente de vendas da Riooito Incorporações.

Menos burocracias
Os trâmites também são favoráveis. Como os apartamentos não passaram por nenhum outro proprietário, todo processo é facilitado. Quando o imóvel é usado, o procedimento é maior para desenrolar a questão da escritura, seja na esfera jurídica, civil ou criminal.

Personalização do imóvel
Nada como buscar algo inovador e ter poder de escolha em seu projeto, não é mesmo? Pois essa é mais uma facilidade para os investimentos direto na planta. Na maioria dos casos é possível realizar adaptações em conjunto com a construtora, alterando os formatos para o seu gosto e assim chegar o mais perto possível do imóvel ideal. Mas vale ressaltar que tudo deve ser feito em parceria com a empresa, para que sejam respeitadas todas as normas de segurança na construção e finalização da obra

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Não é vergonha ir para a renda fixa’, diz presidente do Bradesco



Em live da Ágora Investimentos nesta quinta-feira, 16, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, comentou os impactos do coronavírus na economia e no banco. Na conversa, mediada pela analista Ellen Steter, o executivo falou sobre as soluções que vêm sendo adotadas para ajudar empresários em dificuldades.
Para o investidor que, sem a orientação necessária, transferiu seu dinheiro da renda fixa para a renda variável e se surpreendeu com as perdas, ele lembrou que é importante se aconselhar com um especialista. E deu um recado. “Não é vergonha nenhuma ir para a renda fixa, ela também é um bom investimento. Não devemos colocar todos os ovos na mesma cesta.”

Ágora – O senhor já se expressou em outras entrevistas sobre a crise como presidente do Bradesco. Agora a pergunta é diferente: como o cidadão Octavio está enxergando o momento que estamos atravessando?
Octavio de Lazari – Temos que viver um dia de cada vez. Pode parecer banal, mas perdemos essa essência de viver o presente. Hoje tivemos uma mudança profunda no nosso jeito de ser e modo de agir e pensar. Estamos cuidando do presente, da saúde dos nossos funcionários, do dia de hoje.
A história da humanidade foi marcada por mudanças que foram detonadas por um gatilho que mudou o comportamento das pessoas: as quatro Revoluções Industriais, as duas Guerras Mundiais. Eu me questiono se essa quarta revolução industrial, a do conhecimento, não está sendo desafiada por um inimigo invisível com o qual não sabemos lidar. E que nos faz voltar para o mais essencial, que é cumprir com a missão de sobreviver. Isso tem que trazer reflexões para nós.

Se hoje temos cadeias globais de fornecimento, não existem mais fronteiras para os países produzirem e venderem o que tiverem de melhor, o Brasil produz insumos, grãos e minérios… tudo isso acabou no momento em, que por alguns tostões, você desvia uma carga de máscaras, testes e equipamentos.
Temos que repensar nosso planeta. O quanto estamos fazendo por ele de fato? O planeta está nos dando uma chance de repensar nossa atitude como seres humanos. Temos mudar nosso modo de agir para poder deixar para as próximas gerações um outro estilo de vida, outro modo de consumo. Em que possamos procurar a nossa felicidade sem o exagero de consumo de recursos naturais que temos hoje.

Ágora – Como economista, como você enxerga a economia brasileira diante desses novos desafios propostos? Como vamos virar a página?
Octavio de Lazari – Difícil falar agora, pois ainda não temos clareza de quanto tempo esse problema irá se estender. Os reflexos certamente serão sérios. Temos que procurar fazer o nosso melhor e viver um dia de cada vez. Teremos reflexos importantes no PIB, estimo queda próxima a 4%, mas é quase um achismo.

Temos que ter uma postura de respeito aos contratos, as pessoas têm que cumprir suas obrigações. Vejo oportunistas dizendo: não vamos mais pagar contas, aluguéis… não podemos fazer isso! Quando alguém deixa de pagar, alguém deixa de receber, e esse outro alguém deixa de ter condições de pagar seus empregados, fornecedores.
Quem puder pagar, pague, assim a roda da economia continuará girando, ainda que mais lentamente, com algum solavanco. Esses ativismos só destroem a população como um todo. Quem não puder pagar, procure seu credor e renegocie sua dívida, para tentar esticar o prazo, pagar um pouco menor, replanejar a situação financeira. O momento é de pensar na comunidade e agir com extrema responsabilidade.
Ágora – Vimos medidas do governo para tentar mitigar os impactos do coronavírus na economia. Como o banco tem se posicionado para auxiliar nessa travessia?
Octavio de Lazari – Nunca havíamos visto os três maiores bancos privados se unirem por uma mesma causa. Bradesco, Itaú e Santander se juntaram e procuraram o Ministério da Saúde para oferecer ajuda. O Ministério disse: não adianta oferecerem dinheiro, nós até temos dinheiro. O que precisamos é que usem de seu networking para ajudar a trazer os equipamentos de que precisamos.

Então compramos 5 milhões de testes, estamos doando 30 tomógrafos da Siemens, fizemos a doação de outros equipamentos, doamos R$ 50 milhões para uma entidade que arrebanhou empresários individuais para produzir máscaras. Estamos contribuindo com um hospital de campanha do Rio de Janeiro, doamos 80 mil cestas básicas em São Paulo. Cada um está buscando se solidarizar e ajudar.
É importante que o desejo de solidariedade da sociedade não venha apenas nesse momento, mas que seja estruturante, uma ação contínua. O poder público não vai resolver todos os problemas sozinho.
Ágora – E o lado dos empresários? Ele se mostra fragilizado. O cenário é desafiador.
Octavio de Lazari – Enquanto em 2008, a crise tinha a ver com o próprio setor financeiro, hoje os bancos são parte importante da solução do problema. Fomos conversar com o Banco Central e o BNDES, perguntar o que poderíamos fazer por aquelas empresas que geram mais empregos e têm uma estrutura de capital mais fragilizada, que faturam de R$ 360 mil a R$ 10 milhões. Nós temos que fazer a folha de pagamento dessas empresas para que elas continuem produzindo, ainda que em escala menor.

Surgiu a ideia de fazermos a folha dessas empresas por dois meses, abril e maio. Rapidamente os bancos selecionaram essas empresas. A gente aprovou 92% das empresas que têm folha de pagamento no Bradesco, são 54 mil empresas que envolvem 1,4 milhão de trabalhadores. Oito mil empresas já tomaram esse crédito e o dinheiro já foi direto para a conta das pessoas, que precisam se alimentar e pagar suas obrigações. Nas folhas de pagamento não tem spread, estamos usando toda a rede de distribuição, suportando os custos operacionais, não estamos cobrando nada por isso, os bancos não vão ganhar um centavo com a operação.
Uma outra medida foi prorrogar as parcelas por 60 dias, mantendo exatamente a mesma taxa de juros do contrato. Não há elevação de taxa, ao contrário do que algumas pessoas vêm dizendo. Todas as operações em que nossos clientes pedirem para jogar as parcelas de abril e maio para o final do contrato, a taxa de juros será a mesma. O que vai acontecer é que a prestação vai aumentar um valor pequenininho, porque o prazo do contrato vai aumentar dois meses.

Com crise, construtoras aceleram venda de imóveis pela internet

A PRÁTICA, POUCO COMUM ATÉ ENTÃO, TEM AJUDADO A AMENIZAR AS PERDAS COM OS FECHAMENTOS DOS ESTANDES; TOUR VIRTUAL, VIDEOCHAMADAS E ASSINATURA DIGITAL SÃO AS FERRAMENTAS UTILIZADAS


A chegada da pandemia de coronavírus forçou as construtoras a acelerarem a adoção de plataformas digitais para vendas de imóveis pela internet. Essa prática, pouco comum até então, tem ajudado a amenizar as perdas com os fechamentos dos estandes. MRV, Tenda, Direcional, Cyrela, Tecnisa e Trisul, entre outras, iniciaram ou ampliaram essas iniciativas nas últimas semanas. Para elas, as vendas online podem ser o grande - e provavelmente o único - legado positivo da crise.

Especializada no Minha Casa Minha Vida (MCMV), a Tenda tinha um "feirão online" programado para 23 de março. A campanha foi concebida para suprir o fim dos feirões da Caixa Econômica Federal. A chegada do covid-19, porém, transformou a ferramenta em braço permanente de vendas. "Era para ser um experimento, mas a crise nos forçou a estender (a modalidade)", diz o diretor executivo de marketing e tecnologia, Luis Martini.
A plataforma online da Tenda serve para expor o portfólio de empreendimentos, remessa de documentos, análise de crédito até a assinatura digital do contrato. Desde o dia 23, a empresa recebeu 45 mil contatos e aprovou o crédito de 1,5 mil clientes, que devem gerar perto de R$ 210 milhões em receitas. "A análise de crédito é a etapa mais crítica, então, o normal é não perder essas vendas", diz Martini. Ele estima que as vendas online podem representar 30% das vendas totais no médio a longo prazo, após a crise.
Líder do MCMV, a MRV iniciou um projeto-piloto de vendas online em Belo Horizonte na virada do ano, mas optou, em março, por ampliar para todas as 160 cidades nas quais atua. "Com a chegada do corona, decidimos rodar de forma mais ampla", diz o copresidente, Eduardo Fischer. Cerca de 1 mil apartamentos (equivalentes a R$ 160 milhões em receitas), dos 11 mil vendidos no primeiro trimestre, passaram pela plataforma digital. "Ela tem potencial de crescimento", afirma. "As pessoas estão mudando de hábito e se digitalizando: será um legado muito positivo da crise."

A Direcional implantou a plataforma de vendas online ano passado e estima que tenha representado um terço dos negócios no primeiro trimestre. Hoje, são 100%, devido ao fechamento dos estandes. "O cliente começava a busca do imóvel pelo canal digital, mas em determinado momento sentia a necessidade de visitar o estande. Depois retomava o canal digital para terminar a negociação e a parte burocrática. Isso mudou com a crise", afirma o diretor nacional de incorporação, Paulo Assis. "Com o estande fechado, o cliente está aceitando mais a opção de um tour virtual pela planta decorada. É uma disrupção", diz ele. A construtora se preparar para ampliar a escala das operações digitais.
Diferença de classes

Tenda, MRV e Direcional têm mais fluidez nas vendas de imóveis pela internet porque as plantas são padronizadas, o que facilita a exibição virtual. Além disso, seus consumidores são pessoas de renda mais baixa, que estão à procura da primeira casa própria, ou seja, têm mais necessidade de se mudarem. Já no setor de médio e alto padrão, os projetos têm particularidades, e os clientes, menos urgência em fechar negócio. Por isso, a visita aos estandes e a conversa presencial ainda têm peso mais relevante, o que restringe as vendas totalmente online.
"O mais difícil é transformar o canal digital, que é racional e frio, em algo mais emocional. Temos o desafio de fazer nosso cliente se imaginar dentro do apartamento, visualizar o espaço de lazer, a vista da janela e a iluminação do sol. O apartamento não é apenas uma especificação de metros quadrados", diz o diretor de vendas de Cyrela e Living, Orlando Pereira. "É um processo um pouco mais difícil, mas possível." O grupo adotou a plataforma digital em 2019 e cerca de 25% dos compradores de imóveis são capturados pela internet. Só agora, porém, a companhia realizou uma venda sem que o cliente tenha pisado no estande. "Esta semana foi emblemática. Nunca tínhamos discutido um contrato via live", afirma Pereira.

Na mesma linha, a Trisul adotou ferramentas como tour virtual, videochamadas e assinatura digital. As vendas caíram 50% na primeira semana de abril ante o mesmo período de março, uma vez que 100% dos estandes estão fechados. "Foi uma queda alta, inevitável. Mas estamos conseguindo sustentar uma parte digitalmente", diz Sergio Marão, diretor comercial.
Então, o futuro das vendas de imóveis será 100% digital, sem a necessidade de plantas decoradas? A resposta é não, segundo o diretor de marketing da Tecnisa, Romeo Busarello. Mesmo assim, a expectativa é que esses processos vão deslanchar. "O cliente vai continuar querendo ver o estande. Mas a parte burocrática de documentação, análise de crédito e assinatura, aí sim, será tudo digital", diz. A grande vantagem está na economia de tempo. Enquanto o vaivém de papéis costuma levar de 10 a 20 dias, isso pode ser resolvido em apenas um dia pelas vias digitais. A própria Tecnisa adotou a assinatura digital para os contratos há menos de um mês. "Claro que as vendas caíram muito. Mas ao menos nós continuamos vendendo", afirma.

Cartórios
As restrições impostas pela quarentena também se traduziram em maior movimento online nos cartórios. As remessas digitais de documentos de transações imobiliárias saltaram de uma média de 80 para 2,2 mil por semana, de acordo com a associação Central Registradores do Brasil. "As ferramentas na internet já estavam disponíveis, e agora as pessoas tiveram de aprender a lidar melhor com isso", diz o presidente da associação, Flaviano Gualhardo.
O tráfego online tende a fluir com menos burocracia após ajustes recentes na legislação do setor. O provimento número 94, editado no fim de março pelo Conselho Nacional de Justiça, deu aos documentos digitais "status" equivalente ao dos documentos físicos para o registro de imóveis. Assim, documentos "nascidos" digitais ou que eram físicos e foram digitalizados, passam a ser aceitos nos cartórios para o registro. "É uma revolução dos cartórios. É a transformação do que sempre foi físico e burocrático em algo eletrônico e rápido", afirma o advogado Olivar Vitale, sócio do escritório VBD Advogados e conselheiro jurídico do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP).

domingo, 12 de abril de 2020

Em caso de herança, saiba como vender o seu imóvel

Uma dúvida muito comum é se um imóvel de herança pode ser vendido, se o inventário ainda não foi finalizado. A resposta inicial é sim, você poderá vender o imóvel, porém, temos dois caminhos:

Alvará judicial

A obtenção de um alvará judicial é uma das formas de vender um imóvel arrolado em espólio. Nesse procedimento, o inventariante solicita uma autorização ao juiz para comercializar o imóvel, enquanto ainda estiver pendente a partilha, tendo que justificar o motivo da antecipação da venda.
Nesta modalidade, também haverá o recolhimento do ITCD.

Escritura pública

Nessa forma, há um lado os herdeiros e do outro lado está o comprador do imóvel, ou seja, o comprador entrará na sucessão como se fosse um herdeiro, e recebera a herança na fração adquirida, se tornando apto para inclusive promover o processo do inventário.
É importante lembrar que até o momento formal da partilha, a herança é considerada um bem imóvel, e por isso, é obrigatoriamente necessário que todos os herdeiros façam parte desse negócio de compra e venda de imóveis herdados, como uma sociedade, pois cada herdeiro é proprietário de uma parte daquele bem.

O que fazer se um dos herdeiros não aceitar a venda?

Caso um herdeiro não concorde com a venda do imóvel, o passo a se tomar será a alienação forçada, por meio de ação judicial.
Neste processo, o consentimento desse herdeiro será suprido pelo do juiz, inclusive expedindo escritura pública de compra e venda sem a necessidade da assinatura do herdeiro que não concorda com a comercialização do bem.
Se não houver um acordo sobre a forma de venda do bem, será feito um leilão judicial. Não é aconselhável chegar nesse ponto, pois os valores de arrematação costumam ser menores que os de mercado.

Imóvel na planta ou pronto para morar. O que é melhor para mim?


Comprar imóvel na planta 

Um imóvel caracterizado como lançamento pode ser comprado ainda na planta, no seu processo de construção, na fase final ou prestes a ser inaugurado. 

Vantagens:

A principal vantagem do imóvel adquirido como lançamento são as condições de pagamento. Assim, o comprador não precisa ter todo o valor em mãos, mas pode pagar as parcelas no decorrer da obra -que leva de 30 a 36 meses- e financiar o restante após a entrega das chaves. 
Para quem tem uma quantia guardada, quanto mais conseguir antecipar os valores, maior o desconto que pode conseguir no lançamento. 
Além disso, a sensação de ter um imóvel novinho e com todas as conveniências alinhadas às últimas tendências é incrível. 

Desvantagens:

Quem compra um imóvel na planta precisa ter um pouco de paciência para aguardar o empreendimento ficar pronto. Outro ponto de atenção é pesquisar o histórico da incorporadora ou construtora responsável para ficar mais seguro na hora de fechar negócio.

Comprar imóvel pronto para morar

Quando falamos de um imóvel pronto, ele já está construído, podendo ser novo ou já habitado por outros moradores.

Vantagens: 

O comprador que tem mais pressa para fazer a mudança tem no imóvel pronto a melhor opção. 
Para fechar negócio, o comprador pode recorrer ao saldo do FGTS para pagar a entrada e financiar o valor restante com uma instituição bancária.

Desvantagens:

Normalmente o comprador de imóvel pronto tem que estar preparado financeiramente para desembolsar mais recursos à vista, se comparado com o lançamento. 
No caso de um imóvel antigo, é fundamental ficar atento às possíveis manutenções e reformas. 
Agora que você já sabe as principais diferenças entre comprar um imóvel na planta ou pronto para morar, é hora de pensar na opção que combina com você e suas expectativas e começar a sua jornada.

sábado, 11 de abril de 2020

Caixa amplia incentivos em financiamento imobiliário por conta do coronavírus



A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira (9) uma nova rodada de medidas de estímulo à construção civil. Pessoas físicas e empresas poderão adiar parcelas de financiamentos por três meses e antecipar o recebimento de recursos.
O conjunto de ações, segundo o banco, vai injetar aproximadamente R$ 43 bilhões na economia. O objetivo é minimizar os impactos econômicos provocados pela pandemia do novo coronavírus e evitar demissões no setor.
Em março, a Caixa já havia reduzido taxas de juros e autorizado a suspensão de parcelas por dois meses. Agora, esse prazo foi ampliado por mais um mês para os financiamentos imobiliários.

Outra medida já anunciada, mas que agora é oficial e passa a valer, dá seis meses de carência para o início dos pagamentos de novos contratos de financiamento de imóveis. As novas regras entram em vigor na segunda-feira (13).
?Os pedidos de suspensão dos pagamentos poderão ser feito pelo aplicativo de celular da Caixa. O objetivo é evitar que as pessoas se desloquem às agências durante a pandemia do novo coronavírus.
A pausa nos pagamentos poderá ser feita por clientes com financiamentos em dia ou que tenham, no máximo, duas parcelas em atraso. A regra também se aplica a empresas que fazem financiamento à produção.
Pessoas que não quiserem suspender integralmente os pagamentos terão a possibilidade de optar por um pagamento parcial das parcelas no período de três meses.
Os clientes que usam financiamento da Caixa para construção de imóvel poderão antecipar o recebimento de recurso em até dois meses, sem necessidade de vistoria.
Haverá ainda autorização para que empresas, especialmente construtoras, antecipem até 20% dos recursos a receber em financiamentos à produção para obras ainda não iniciadas. Empreendimentos que já começaram poderão contar com antecipação de três meses dos recursos, limitado a 10% do valor do financiamento.

Contratos com atraso entre dois e seis meses também poderão ser renegociados, com autorização para pausa ou pagamento parcial das prestações.
Caso a construtora seja impactada pela crise provocada pela pandemia e precise reformular o cronograma de obras, o banco vai permitir o ajuste no contrato de financiamento.
De acordo com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, as ações, somadas às novas linhas de crédito apresentadas nas últimas semanas após o agravamento da pandemia, somam R$ 154 bilhões.
Segundo ele, o banco segue avaliando o cenário e novas medidas emergenciais podem ser adotadas.

"Se houve maior problema, se a crise ficar mais forte, vamos estudar e poderemos, sim, ampliar essas linhas", disse.


Ele acredita que as medidas vão evitar a demissão de 1,2 milhão de trabalhadores.
As ações:
Para pessoas físicas

- Pausa de 90 dias no financiamento habitacional, para clientes com financiamento em dia com até duas parcelas em atraso, incluindo os contratos em obra;

- Clientes que utilizam a conta vinculada do FGTS para pagamento de parte da prestação podem pausar a parcela não coberta pelo FGTS por 90 dias;

- Clientes com financiamento em dia com até duas parcelas em atraso poderão optar pelo pagamento parcial da prestação do financiamento, por 90 dias;

- Prazo de carência de 180 dias para contratos de financiamento de imóveis novos;

- Aos clientes que constroem com financiamento da Caixa será permitida a liberação antecipada de até duas parcelas, sem a vistoria;

- Renegociação de contratos com clientes em atraso entre 61 e 180 dias, permitindo pausa ou pagamento parcial das prestações.
Para empresas

- Antecipação de até 20% dos recursos do Financiamento à Produção de empreendimentos para obras a iniciar;

- Antecipação da liberação dos recursos correspondentes a até três meses, limitado a 10% do custo financiado, para obras em andamento e sem atrasos no cronograma;

- Liberação de recursos de financiamento à produção não utilizados pela empresa nos meses anteriores, limitado a 10% do custo financiado;

- Pausa no financiamento à produção de 90 dias, para clientes adimplentes ou com até duas parcelas em atraso, incluindo os contratos em obra;

- Permitir o pagamento parcial da prestação do financiamento, por até 90 dias, para os clientes adimplentes ou com até duas parcelas em atraso;

- Inclusão ou prorrogação de carência por até 180 dias, para os projetos com obras concluídas e em fase de amortização;

- Possibilidade de prorrogação do início das obras por até 180 dias;

- Admitir a reformulação do cronograma de obra, nos casos de contingências na execução por questões decorrentes da pandemia.

Caixa terá R$ 43 bilhões de novas linhas de crédito imobiliário, diz Guimarães

HAVERÁ CARÊNCIA DE SEIS MESES PARA PAGAMENTO, TANTO PARA PESSOAS FÍSICAS QUANTO EMPRESAS

A Caixa anunciou há pouco medidas para minimizar os efeitos da pandemia de coronavírus sobre o mercado imobiliário. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, destacou que o banco terá R$ 43 bilhões em novas linhas e que haverá carência de seis meses para pagamento, tanto para pessoas físicas quanto empresas.

“Tínhamos R$ 111 bilhões em linhas novas, que anunciamos há duas semanas. Desses, já emprestamos mais de R$ 35 bilhões. E agora estamos anunciando, naquele que é nosso carro-chefe, R$ 43 bilhões, o que gera um total de R$ 154 bilhões. Volume extremamente relevante”, disse, completando que isso permitirá que as empresas continuem trabalhando.
Segundo ele, 1,2 milhão de pessoas conseguirão manter o trabalho com a medida e 530 mil unidades habitacionais vão ser construídas. Disse ainda que foi feito um acordo com as construtoras para que não haja demissão.

O presidente da Caixa destacou que, ao todo, são dez medidas. “Outro ponto importante é a postergação de 90 dias em todos os contratos. Mais de 1,5 milhão de famílias foram beneficiadas pela pausa”, disse.

Ações para setor imobiliário preservarão 1,2 milhão de empregos, diz Caixa


A Caixa anunciou nesta quinta-feira (9) medidas para minimizar os efeitos da pandemia de coronavírus sobre o setor da construção civil. O pacote inclui ações para pessoas físicas e jurídicas e começará a valer na segunda-feira (13).
A expectativa do banco é que as medidas beneficiem 5 milhões de famílias e preservem mais de 1,2 milhão de empregos. Cerca de R$ 43 bilhões em recursos serão injetados na economia.

Para as pessoas físicas, haverá pausa de 90 dias no financiamento habitacional para clientes adimplentes ou com até duas parcelas em atraso, incluindo os contratos em obra. Além disso, haverá a possibilidade de clientes que utilizem a conta vinculada do FGTS para pagamento de parte da prestação pausarem a parcela não coberta pelo fundo por 90 dias.
Os clientes adimplentes ou com até duas parcelas em atraso também poderão optar pelo pagamento parcial da prestação do financiamento por 90 dias e haverá prazo de carência de 180 dias para contratos de financiamento de imóveis novos. Para os clientes que constroem com financiamento do banco, será permitida a liberação antecipada de até duas parcelas, sem a vistoria. Além disso, haverá renegociação de contratos com clientes em atraso entre 61 e 190 dias, permitindo pausa ou pagamento parcial das prestações.

Já para as empresas, será permitida a antecipação de até 20% dos recursos do Financiamento à Produção de empreendimentos para obras a iniciar e a antecipação da liberação dos recursos correspondentes a até três meses, limitada a 10% do custo financiado, para obras em andamento e sem atrasos no cronograma.
O pacote também inclui a liberação de recursos de financiamento à produção não utilizados pela empresa nos meses anteriores, limitada a 10% do custo financiado. Será implementada ainda a pausa no financiamento à produção de 90 dias para os clientes adimplentes ou com até duas parcelas em atraso, incluindo contratos em obra, e será permitido o pagamento parcial da prestação do financiamento, também por até 90 dias.
Além disso, haverá inclusão ou prorrogação de carência por até 180 dias para os projetos com obras concluídas e em fase de amortização. O início da obra poderá ser prorrogado por até 180 dias e será admitida a reformulação do cronograma de obra, nos casos de contingências na execução por questões decorrentes da pandemia.

Caixa vai oferecer mais de R$ 20 bi em crédito para ajudar construtoras na crise

EM TROCA DA AJUDA, A CAIXA EXIGIRÁ QUE AS CONSTRUTORAS NÃO DEMITAM DURANTE A CRISE. ESTIMA-SE QUE MAIS DE UM MILHÃO DE EMPREGOS SEJAM GARANTIDOS COM AS AÇÕES


A Caixa Econômica Federal prepara para amanhã o anúncio de um 'super pacote' voltado às construtoras com mais de R$ 20 bilhões em crédito e uma lista de cerca de dez medidas para apoiá-las na travessia da crise, apurou o Broadcast. Além dos recursos, que incluem linhas de capital de giro, o banco também deve oferecer carência de ao menos 90 dias.
Em troca da ajuda, a Caixa exigirá que as construtoras não demitam durante a crise. Estima-se que mais de um milhão de empregos sejam garantidos com as ações.
Antes esperado para hoje, o pacote de ajuda ao setor de construção civil foi adiado para amanhã. A mudança de calendário, de última hora, ocorreu por conta da necessidade de operacionalizar o auxílio emergencial mensal de R$ 600,00 que será pago a trabalhadores informais, autônomos e desempregados durante a crise do coronavírus.
A Caixa já contabilizou 25,1 milhões de cadastros finalizados para ter acesso à ajuda emergencial, conforme balanço até às 16 horas de hoje. Do total, 39,3% das pessoas que registraram o pedido optaram pela poupança social do banco público para receber os R$ 600,00, que serão pagos por três meses.
Em outras frentes, a Caixa já anunciou R$ 111 bilhões em linhas de crédito para apoiar empresas e indivíduos durante a crise deflagrada pelo novo coronavírus. Além disso, o banco tem ofertado carência e reduzido os juros de diversas linhas, incluindo as mais caras voltadas às pessoas físicas.
Do lado do crédito, o foco do banco é, sobretudo, as pequenas e médias empresas, foco da gestão atual, capitaneada por Pedro Guimarães, escolhido para comandar a Caixa no governo de Jair Bolsonaro. Agora, a instituição amplia o escopo, incluindo construtoras, que são parceiras presentes do banco, que detém cerca de 70% do crédito imobiliário no País.

sábado, 4 de abril de 2020

Mudança em regras de portabilidade de crédito é adiada por coronavírus


O Conselho Monetário Nacional (CMN) adiou nesta quinta-feira a entrada em vigor de novas regras de portabilidade de crédito.
As mudanças, que passariam a funcionar entre abril e junho deste ano, foram postergadas para 3 de novembro.
“As medidas adiadas previam: a inclusão das operações com cheque especial [nas regras de portabilidade], a possibilidade de operações de crédito imobiliário contratadas originalmente fora do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) serem enquadradas no SFH na portabilidade e a criação do 'Documento Descritivo de Crédito' (DDC)”, afirma comunicado do Banco Central (BC).
“O adiamento decorre da necessidade de as instituições financeiras terem que realocar recursos humanos e materiais em ajustes operacionais e investimentos não programados em tecnologia como consequência da pandemia do novo coronavírus”, afirma.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Coronavírus interrompe recuperação do mercado imobiliário e suspende IPOs


Poucas semanas atrás, misturadores de cimento, guindastes, escavadeiras e trabalhadores em pelo menos quatro diferentes obras residenciais e comerciais tumultuavam uma estreita rua próxima à Faria Lima, a mais movimentada via empresarial de São Paulo.
Em um dos vários canteiros de obras de São Paulo, a atividade – juntamente com uma longa fila de empresas que queriam levantar cerca de 10 bilhões de reais em ofertas públicas iniciais de ações – sugeria que o mercado imobiliário brasileiro finalmente se recuperava de uma longa crise.
Embora as obras prossigam em muitas das ruas agora esvaziadas pela pandemia de coronavírus, ao menos uma dúzia de listagens de ações de construtoras foi cancelada ou adiada.

As ações da Mitre Realty Empreendimentos, que em fevereiro tornou-se a primeira incorporadora a listar ações na bolsa paulista em mais de 10 anos, despencaram cerca de 39%, superando a queda de 35% do Ibovespa
“Quando se olha para a bolsa de valores vemos movimentos de venda por investidores que querem se proteger das incertezas, então não é um bom momento para IPOs”, afirmou Luiz Antonio França, presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc).
A indústria da construção civil desempenha papel crucial na economia brasileira, respondendo atualmente por cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e mais de 5% dos empregos com carteira assinada. Mas o setor foi um dos que mais sofreu com a recessão que atingiu o país a partir de 2014.

Marcada por inadimplência recorde, distratos e custos de financiamento altíssimos, a mais recente crise vivida pela construção civil levou duas incorporadoras a pedir recuperação judicial e outras a reestruturar suas dívidas.
Agora, mesmo com a taxa de juros em um nível historicamente baixo de 3,75%, o que normalmente encorajaria financiamentos imobiliários, brasileiros devem adiar a compra de imóveis em meio a alertas de aumento do desemprego, à medida que empresas são forçadas a suspender atividades, segundo agentes do mercado.

“O mercado imobiliário costuma ser um refúgio em tempos de crise, mas cancelamentos ou adiamento das vendas podem ocorrer se o desemprego subir”, disse Basilio Jafet, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) de São Paulo, centro financeiro do Brasil.
Há pouco mais de um mês, o Secovi-SP projetava alta de 10% nas vendas de novos imóveis residenciais na cidade de São Paulo em 2020 em meio a expectativas de avanço em importantes reformas econômicas.

Mas esses números devem ser revisados para baixo após o surto de coronavírus, apesar dos esforços de construtoras para prosseguir com as vendas por meio de canais digitais enquanto os stands e showrooms seguem fechados por determinação de autoridades para conter a epidemia.

Conforme dados do Ministério da Saúde, o Brasil tinha 5.571 casos confirmados da doença Covid-19 e 201 mortes até terça-feira, dia 31.
“Parecia um cenário perfeito para o setor imobiliário, com baixas taxas de juro, atividade econômica se recuperando e vendas começando a crescer”, disse Guilherme B. Netto, sócio na RBR Asset Management, especializada em ativos imobiliários. “Agora está tudo incerto.”

Canteiro de obras

Apesar das regras de isolamento social adotadas por decretos municipais e estaduais e de algumas interrupções no transporte coletivo, as obras não foram paralisadas, dado que os trabalhos ocorrem a céu aberto.
Um esquema de rodízio para refeições também vem sendo adotado para reduzir o risco de contaminação pelo coronavírus, acrescentou Jafet.
“Somos a locomotiva, então se nós pararmos os vagões também param”, disse José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), lembrando que outros 62 setores, incluindo o varejo, são impactados pela construção civil.
Embora as obras em andamento continuem, incertezas sobre a duração da crise colocam em risco os lançamentos de novos projetos.
“Não vamos lançar nada do jeito que as coisas estão”, disse Raphael Horn, co-presidente da Cyrela, em teleconferência recente com analistas sobre os resultados do quarto trimestre.

O desemprego, que deve disparar com a epidemia do coronavírus, é a principal preocupação, afirmou o gestor de ativos da Ace Capital, Gabriel Trebilcock. “As taxas de juros baixas são importantes para o setor, mas não são tudo. O desemprego precisa cair para impulsionar as vendas.”
Ainda assim, participantes do setor seguem cautelosamente otimistas, destacando sinais de esperança na China, epicentro inicial do coronavírus.
“A China conseguiu controlar o coronavírus, então só podemos esperar que o resto do mundo também o fará e não tenho dúvidas de que o mercado imobiliário se recuperará na mesma velocidade com a qual caiu”, disse França.

Outros se esforçam para manter o cronograma de lançamentos enquanto for possível.
“Por enquanto, nossa decisão foi lançar os novos projetos planejados para março e abril também”, contou Eduardo Fischer, co-presidente da MRV, a maior construtora de imóveis econômicos da América Latina. “Mas em momentos como esse a decisão de segunda-feira pode não ser a mesma da terça”, alertou o executivo.