domingo, 5 de abril de 2026

A expectativa do mercado imobiliário com a redução dos juros

Em nota, a Associação das Incorporadoras (Abrainc) considera positiva a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic, mas avalia que é fundamental garantir "uma trajetória contínua e mais consistente de queda dos juros no país". Um estudo da associação aponta que, nos últimos cinco anos, o aumento das taxas retirou cerca de 800 mil famílias do mercado de crédito para aquisição de imóveis de R$ 500 mil, o que representa uma redução de 50% no público elegível. Cada ponto percentual de aumento nas taxas elimina, em média, 160 mil famílias do financiamento.

- A redução é positiva, mas o país ainda opera com um custo de capital muito elevado, que restringe o crédito e desacelera a atividade econômica- afirma o presidente da ABRAINC, Luiz França, o ciclo de queda precisa ganhar intensidade.

Segundo dados da CBIC, houve aumento de 5,4% no volume de vendas em 2025 em relação ao ano anterior. O setor foi puxado pelo crescimento de negócios dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida. Já os contratos fechados com recursos da poupança tiveram redução de mais de 20%.

Para Vitor Moura, sócio-presidente da Patrimóvel, a redução da taxa tem impacto ainda maior no segmento de imóveis na planta, já que o crédito costuma ser contratado apenas dois ou três anos depois, na entrega da unidade. Nesse cenário, a queda da Selic aumenta a expectativa de condições mais atrativas no momento do financiamento.

- Embora o recuo de 0,25 ponto percentual seja modesto, ele já sinaliza um possível ciclo de reduções ao longo do ano - analisa.

A redução da Selic tende a ampliar o acesso ao crédito e estimular tanto a compra da casa própria quanto o investimento no setor, considera Filipe Menegheti, diretor de Negócios da The INC Incorporações. Em sua opinião, o movimento favorece tanto investidores, que passam a migrar da renda fixa, quanto compradores em busca da casa própria por meio do financiamento bancário.

- Como já ocorreu após a crise externa de 2008 e na recessão de 2015, ciclos de queda da Selic costumam ampliar significativamente a demanda por imóveis, acompanhados de uma valorização relevante - reflexo direto da lei da oferta e da demanda.

Para Sanderson Fernandes, CEO da Avanço Realizações Imobiliárias, mesmo com os juros ainda em patamares elevados, o setor tem demonstrado resiliência, sustentado pela demanda reprimida e pela busca por ativos reais. Para ele, com o crédito mais acessível, haverá um aumento gradual na confiança do comprador, tanto para moradia quanto para investimento. E isso tende a acelerar a velocidade de vendas e estimular os lançamentos.

- Para quem acompanha o mercado, fica claro que momentos de virada no ciclo de juros costumam representar boas oportunidades antes da valorização mais consistente dos ativos.

Apesar do otimismo, agentes do setor mantêm cautela em relação à velocidade e à intensidade desse movimento. A avaliação de Bernardo Provenzano, diretor financeiro da GAR Incorporadora, é que a consolidação de um ambiente mais favorável depende da continuidade da queda dos juros, da estabilidade da inflação e da efetiva transmissão dessas condições para o crédito imobiliário.

- Para nós, o movimento de redução da taxa Selic é pequeno, mas o sinal é importante. Ele sugere o início de um ambiente potencialmente mais favorável para o mercado imobiliário ao longo dos próximos meses, sobretudo se essa trajetória se confirmar nas próximas reuniões.


 

O PIB da construção estagnou - não para as construtoras


Segundo uma estimativa feita pelo FGV Ibre, o PIB das construtoras teve uma expansão de 2,8% no ano passado, enquanto o IBGE mostra um avanço mais tímido, de 0,5%, praticamente uma estagnação.

A diferença existe porque o cálculo do IBGE também inclui as obras feitas por pessoas físicas (autoconstruções e reformas), que de fato caíram e influenciaram o resultado geral da construção civil.

“O mercado informal da construção está menor porque o juro está muito alto para as famílias que precisam financiar suas obras, e isso acaba mascarando o resultado das construtoras, que conseguem crédito a taxas mais atrativas,” Yorki Stefan, o presidente do Sinduscon-SP, disse ao Metro Quadrado.

Segundo ele, o que está garantindo um bom desempenho para as construtoras é a alta demanda das incorporadoras que atuam no Minha Casa Minha Vida e as obras de infraestrutura, que estão compensando a queda dos lançamentos de prédios residenciais voltados à classe média.

Tanto que, em 2025, o setor formal da construção criou 87,8 mil empregos no País, aumentando o seu contingente em 3%.

Yorki diz que o mercado continua aquecido no primeiro semestre deste ano em razão de obras públicas que estão sendo aceleradas pelos governos estaduais antes das eleições – o que significa que o segundo semestre tende a perder fôlego nesse nicho.

O início do ciclo de corte de juros também tem animado o setor, mas o presidente do Sinduscon-SP pondera que o processo de afrouxamento monetário já está mais lento do que se imaginava (com a queda de 0,25 p.p. na Selic, em vez de 0,5 p.p.) e que o movimento demora a surtir efeito no mercado imobiliário.

Já o mercado informal pode voltar a crescer com o início da nova política de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, dando um fôlego às famílias que pretendem fazer reformas.

“Com isso o PIB do setor como um todo poderá crescer mais em 2026,” disse o presidente do Sinduscon-SP.